Imagine chegar à sua rua e encontrar um emaranhado de fios próximo à sua cabeça. Essa é a realidade enfrentada pelo jornalista Moacy Neves e seus vizinhos, moradores da Rua Gamboa de Cima, no centro da capital baiana. Procurada pelos moradores, a Companhia de Eletricidade do Estado da Bahia (Coelba) não se prontificou a resolver o problema. “Os fios e as caixas foram literalmente arrancados e deixados pendurados na rede. No meu prédio, são quatro apartamentos sem internet”, afirma Moacy.
Segundo o jornalista, na quarta-feira (27), a Neoenergia Coelba realizou um serviço na rua — Gamboa de Cima — retirando dois postes que estavam na calçada nos fundos do Teatro Vila Velha e instalando novos do outro lado da via, transferindo também a fiação e os cabos. A execução, no entanto, foi totalmente irregular e feita sem cuidado, deixando moradores sem internet. Nenhum representante das operadoras de telefonia acompanhou a intervenção.
Moacy denuncia que a empresa deixou uma “parafernália” de fios praticamente ao alcance das mãos, a cerca de 3 metros do chão. Com o peso acumulado, há risco de desabamento da fiação sobre veículos ou pedestres que passem pela calçada. “Dois dias depois, continuamos sem iluminação pública, pois retiraram as luminárias e não as reinstalaram. Trata-se de uma área muito frequentada por usuários de crack”, reforça.
Com a crescente falta de fiscalização da Coelba, o número de fios interligados por postes em Salvador não para de crescer, gerando não só prejuízos à paisagem urbana, como riscos à segurança dos moradores. Entre os problemas causados pela ausência de monitoramento e investimentos em redes subterrâneas, destacam-se os danos à arborização da cidade, além do risco de choques elétricos e até incêndios.
Essa irregularidade na fiação já causou acidentes, com incêndios provocando a queda de cabos e colocando pedestres em perigo. Casos semelhantes têm se espalhado por diversos bairros de Salvador, como Arraial do Retiro, Cabula, Cajazeiras, Castelo Branco, Graça, Imbuí, Nordeste de Amaralina, Pernambués, Pituba, Ribeira, Santa Mônica e Uruguai.
As operadoras de telefonia e internet ainda não recuperaram a rede danificada, e os moradores da Gamboa de Cima estão sem acesso à internet há três dias. Segundo relatos, técnicos da TIM estão trabalhando no local, mas não há previsão para conclusão dos reparos. Quem precisa de conexão urgente está sendo obrigado a contratar pacotes de dados móveis. No fim das contas, ninguém assume a responsabilidade, e o prejuízo recai sobre o consumidor.
Moacy Neves conclui que, numa intervenção como essa, o mínimo que a Coelba deveria ter feito era acionar as operadoras e a Prefeitura de Salvador, já que houve impacto direto na iluminação pública e na rede de internet. A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) estabelece que cabe às distribuidoras de energia detalhar as regras de uso da infraestrutura e gerir os postes, pelos quais são remuneradas pelas prestadoras.
A fiscalização dos serviços de telecomunicações é de responsabilidade da empresa proprietária dos postes — neste caso, a Coelba — que deve seguir normas técnicas e acionar as operadoras para qualquer necessidade de reparo. Mas, quando a irregularidade parte justamente da Coelba, o que fazer? Procurada, a companhia informou que realizou, no dia 27 de agosto, a troca do poste na Rua Gamboa de Cima, deixando a fiação organizada após a conclusão do serviço. Posteriormente, as operadoras de telefonia e internet realizaram novas instalações de seus cabos. A distribuidora reforça que a responsabilidade pela manutenção desses fios é das próprias operadoras, mas, de forma proativa e visando à segurança da população, notificou as empresas responsáveis e enviará uma equipe técnica para avaliar os reparos necessários.
Por Márcia Macedo