O Ministério da Saúde passou a oferecer no Sistema Único de Saúde (SUS) o teste de biologia molecular DNA-HPV, indicado para o rastreamento do câncer de colo do útero.
A tecnologia identifica 14 genótipos do papilomavírus humano (HPV), permitindo detectar o vírus antes do aparecimento de lesões ou de câncer em estágio inicial, inclusive em mulheres assintomáticas.
Mais sensível que o exame tradicional, o teste reduz a necessidade de intervenções desnecessárias e amplia o intervalo entre as coletas para até cinco anos quando o resultado é negativo. Segundo o Ministério, trata-se de um rastreamento de alta performance, capaz de alcançar também mulheres em áreas remotas.
Produzida pelo Instituto de Biologia Molecular do Paraná, ligado à Fiocruz, a tecnologia vai substituir o papanicolau, que continuará a ser utilizado apenas para confirmação dos casos positivos. A coleta é semelhante: envolve secreção do colo do útero, que, em vez de ser colocada em lâmina, é armazenada em tubo com líquido conservante para análise em laboratório.
O exame já começou a ser implementado em alguns estados e no Distrito Federal, em municípios que contam com serviços de referência para colposcopia e biópsia. A meta é ampliar gradualmente até alcançar todo o país, beneficiando milhões de mulheres entre 25 e 64 anos.
O HPV é a principal causa do câncer de colo do útero, terceiro mais incidente entre mulheres no Brasil, com cerca de 17 mil novos casos por ano. Dados do Inca apontam 15 casos para cada 100 mil mulheres. A doença ainda é a que mais mata mulheres no Nordeste, resultando em cerca de 20 óbitos por dia no país.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda a testagem de HPV como padrão ouro para rastreamento e considera o exame essencial para a eliminação do câncer de colo do útero como problema de saúde pública até 2030.
Informações da Agência Brasil