Durante uma viagem ao Paraguai e à Argentina, a dentista Tuanny Monteiro Noronha percebeu algo familiar em meio à rotina fora do país: o uso do Pix como forma de pagamento. Mesmo fora do Brasil, o sistema de transações instantâneas está ganhando espaço — especialmente em destinos frequentados por turistas brasileiros.
Criado pelo Banco Central, o Pix se consolidou como o principal meio de transferência de recursos no Brasil e agora começa a ultrapassar fronteiras. Embora ainda não existam transferências internacionais diretas via Pix, o sistema já pode ser usado no exterior graças a parcerias entre fintechs brasileiras e empresas credenciadoras (as chamadas adquirentes), responsáveis pelas maquininhas de cartão.
Como funciona o Pix em viagens
Em cidades como Ciudad del Este e Buenos Aires, grande parte dos estabelecimentos comerciais já oferece pagamento via Pix. Isso é possível porque algumas maquininhas exibem um QR Code que, ao ser escaneado pelo cliente, converte automaticamente o valor da compra para reais, com o câmbio fixado no momento do pagamento e o IOF já incluso. O processo é simples e garante transparência ao consumidor, que sabe exatamente quanto vai pagar — ao contrário do que ocorre com o cartão de crédito, onde a cotação pode variar até o fechamento da fatura.
Além disso, o Pix pode ser utilizado por meio de empresas de tecnologia financeira que oferecem contas multimoeda. Nesses casos, o usuário envia um Pix de sua conta no Brasil para o aplicativo, que converte o valor para a moeda desejada (como euro ou dólar), permitindo pagamentos digitais fora do país, sem necessidade de casas de câmbio.
Expansão acelerada
O uso do Pix no exterior tem crescido, especialmente em países com grande fluxo de turistas brasileiros, como Argentina, Paraguai, Uruguai, Chile, Portugal, Espanha, França, Panamá e, mais recentemente, os Estados Unidos. Em locais como lojas de departamento, feiras, restaurantes e até parques temáticos, o Pix já é aceito como forma de pagamento, especialmente nas regiões da Flórida e Nova York.
Nos EUA, por exemplo, empresas como PagBrasil e Verifone fecharam acordos para permitir pagamentos via Pix com conversão automática do dólar para o real, mirando o alto número de visitantes brasileiros e os bilhões movimentados anualmente por esse público.
Pix: prático, seguro e “imparável”
Além da facilidade e da velocidade, o Pix tem a vantagem de eliminar a necessidade de circular com dinheiro em espécie — o que aumenta a segurança dos viajantes. Para a jornalista Verônica Soares, por exemplo, que usou o sistema durante sua estadia em Paris, o Pix transformou completamente sua experiência: “Hoje não preciso mais trocar dinheiro antes da viagem. Faço um Pix e converto para euro no aplicativo. Rápido, prático e feito direto pelo celular”.
Com cerca de 75% da população brasileira utilizando o Pix, o sistema se consolidou como referência mundial em inovação financeira. Enquanto o Banco Central ainda não projeta um Pix internacional direto — por envolver acordos complexos com outros países —, há estudos em andamento para integrar a ferramenta ao sistema Nexus, plataforma internacional do Banco de Compensações Internacionais que pretende viabilizar transferências rápidas entre nações.
Apesar de algumas reações internacionais, como a recente investigação aberta nos Estados Unidos por supostas práticas desleais, especialistas acreditam que o avanço do Pix é inevitável. “É o sistema de pagamento mais versátil do mundo. Transferência, QR Code, recorrência, pagamento por aproximação, e em breve, parcelamento com Pix garantido. Nenhum outro sistema oferece tanto”, afirma Alex Hoffmann, CEO da PagBrasil.
Informações da Agência Brasil