Durante a cúpula de líderes do Brics realizada no Rio de Janeiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu o aumento do espaço fiscal, ou seja, da capacidade de gasto dos governos, como condição essencial para assegurar o direito à saúde e à dignidade nos países do Sul Global.
Em sua fala, Lula destacou que não há saúde sem investimentos em áreas estruturantes como saneamento básico, alimentação, educação, moradia, trabalho e renda. Segundo o presidente, alcançar o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável nº 3 (ODS 3), que trata de saúde e bem-estar, exige compromisso financeiro e ação integrada dos governos.
“O direito à saúde depende de políticas públicas que enfrentem as causas sociais das doenças. No Brasil e no mundo, a renda, a escolaridade, o gênero, a raça e o local de nascimento determinam quem adoece e quem morre”, declarou Lula. Ele chamou atenção para doenças negligenciadas que ainda afetam milhões em países em desenvolvimento, como mal de Chagas e cólera, e que, segundo ele, já teriam sido erradicadas se atingissem o Norte Global.
Lula também anunciou o lançamento de uma nova parceria do Brics voltada para a eliminação de doenças socialmente determinadas. A iniciativa foca na superação de desigualdades por meio de ações estruturantes, com ênfase em infraestrutura física e digital.
O presidente ressaltou ainda que o bloco já vem avançando nesse campo. Citou como exemplo a consolidação da Rede de Pesquisa de Tuberculose, apoiada pelo Novo Banco de Desenvolvimento (conhecido como Banco do Brics) e pela Organização Mundial da Saúde (OMS), além da cooperação regulatória em produtos médicos. “Estamos liderando pelo exemplo. Colocando a dignidade humana no centro de nossas decisões”, afirmou.
Lula defendeu também a retomada do protagonismo da OMS como espaço legítimo para a coordenação de respostas globais a pandemias e à promoção da saúde pública.
Informações da Agência Brasil