O Brasil registrou em julho uma queda de 40% na área queimada em comparação com o mesmo mês do ano anterior. Foram 748 mil hectares atingidos, o menor índice para o período desde o início da série histórica do Monitor do Fogo, do MapBiomas.
Segundo a coordenadora técnica do MapBiomas Fogo, Vera Arruda, ainda é cedo para afirmar que já existe uma mudança de tendência consolidada.
“Essa redução pode estar associada a diferentes fatores. Entre eles, o retorno das chuvas em algumas regiões, como na Amazônia, a intensificação da fiscalização em áreas críticas e até uma postura mais cautelosa do uso do fogo após os prejuízos dos anos anteriores”, destacou.
A vegetação nativa foi a mais atingida no mês e representou 76,5% do total, enquanto áreas de uso agropecuário e pastagens responderam por 14,3%.
O tipo de vegetação mais afetada foi a formação savânica, responsável por 36% da área queimada no país. Essa vegetação, predominante no Cerrado, é composta por campestres, arbustos e árvores de médio e pequeno porte.
Biomas
No período, o Cerrado perdeu 571 mil hectares, enquanto a Amazônia teve 143 mil hectares queimados. A Mata Atlântica, a Caatinga, o Pantanal e o Pampa também foram atingidos, com 24,4 mil hectares, 6,8 mil hectares, 1.272 e 1.277 hectares, respectivamente.
Tocantins registrou 203 mil hectares queimados, Mato Grosso 126 mil hectares e o Maranhão 121 mil hectares. Os municípios com maior extensão queimada foram Lagoa da Confusão (TO), com 52,6 mil hectares; Mirador (MA), com 38,5 mil hectares; e Formoso do Araguaia (TO), com 34,8 mil hectares.
Segundo Vera Arruda, o início da estação seca no Cerrado é o período mais crítico, marcado pelo acúmulo de material combustível e pelo maior risco de incêndios. “É justamente nesse momento que a prevenção deve ser intensificada, já que as principais fontes de ignição têm origem humana”, afirmou.
Acumulado do ano
Entre janeiro e julho, o país já soma 2,45 milhões de hectares queimados, uma redução de 59% em relação ao mesmo período do ano anterior.
O Cerrado foi o bioma mais afetado, com metade de toda a área queimada: 1,2 milhão de hectares. Assim como em julho, a vegetação nativa foi a mais atingida no acumulado do ano, representando 75% do total.
Tocantins e Maranhão lideram a lista de estados mais afetados, com 467 mil hectares e 329,7 mil hectares queimados, respectivamente. Roraima também se destaca, com 426,6 mil hectares atingidos.
Informações da Agência Brasil