Produto clássico, considerado de luxo e historicamente associado a um público de maior ascensão social e financeira, o charuto passou por transformações nos últimos anos. O rolo de folhas de tabaco seco, enroladas para serem fumadas, conquistou novos consumidores e entusiastas em todo o Brasil, incluindo a Bahia.
No estado, o charuto é tema de discussões mais amplas, integrando a cadeia econômica e o setor industrial. A região do Recôncavo se destaca na fabricação e exportação desses produtos, que chegam a diversos países. A empresa Menendez Amerino & Cia Ltda – Charutos Premium, localizada em São Gonçalo dos Campos, é referência nesse mercado.
Segundo Carla Almeida, representante comercial da empresa, a Bahia é um dos principais exportadores de tabaco utilizado em charutos e outros produtos, devido à abrangência de sua produção. “A fabricação do fumo para charuto se concentra principalmente na Bahia, especialmente na região do Recôncavo, onde se encontra o famoso Mata Fina, um dos tabacos mais apreciados do mundo. A Bahia é, atualmente, o maior exportador de tabaco a nível mundial, com produtos utilizados em cerca de 105 países”, explicou.
O crescimento do mercado de charutos no Brasil também se reflete no aumento da produção, tanto de charutos mecanizados quanto artesanais. Hoje, o consumo nacional é de aproximadamente 15 milhões de unidades por ano, das quais cerca de 20% são charutos premium, enrolados à mão.
Mudança de público e perfil
Tradicionalmente consumidos por pessoas mais velhas e de perfil elitizado, os charutos passaram a atrair jovens e mulheres. Carla Almeida destaca que a entrada desse novo público está ligada à busca por experiências sensoriais: “Os consumidores hoje buscam mais a experiência do que o produto. Seja ao apreciar um vinho, um prato gourmet ou um charuto, o que importa é a experiência proporcionada”.
Apesar de os charutos premium ainda serem preferidos por consumidores de maior poder aquisitivo, houve uma popularização dos produtos. É possível encontrar charutos de diferentes faixas de preço, desde R$ 40 até R$ 4.000, atendendo a diversos perfis e paladares.
Charutos e saúde
Mesmo com nicotina diferente do cigarro, o charuto pode prejudicar a saúde. Segundo o pneumologista Guilhardo Fontes, da Associação Bahiana de Medicina (ABM), a substância é absorvida pela mucosa oral e circula pelo corpo, podendo causar câncer de boca, laringe, traqueia, pulmão e até bexiga. “O charuto, assim como o cigarro tradicional e os eletrônicos, está relacionado a diversas doenças graves”, alertou.
Informações do Bahia Notícias