Mais de 11,4 milhões de brasileiros com 14 anos ou mais já usaram cocaína ou crack ao menos uma vez na vida, segundo dados da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Isso representa 6,6% da população. O número revela um aumento significativo na experimentação das substâncias, embora o consumo recente permaneça estável.
Os dados integram o terceiro Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad III), realizado com mais de 16 mil pessoas em 300 municípios. A pesquisa excluiu pessoas em situação de rua.
Cerca de 3,8 milhões de brasileiros (2,2%) relataram uso recente dessas substâncias – nos últimos 12 meses. Apesar da estabilidade em relação ao levantamento anterior, os pesquisadores apontam uma tendência histórica de aumento na experimentação, sem que isso tenha levado a um crescimento proporcional do consumo contínuo.
O uso ao longo da vida e no último ano foi maior entre homens, pessoas de 25 a 49 anos, amarelas e indígenas, além de indivíduos divorciados ou separados. Também houve maior prevalência entre aqueles com menor escolaridade e renda de até dois salários mínimos.
Entre os que relataram uso recente de cocaína, 43,6% afirmaram consumir frequentemente — diariamente ou mais de duas vezes por semana — o que, segundo o estudo, está relacionado a maiores riscos à saúde. A estimativa é que 1,19 milhão de pessoas apresentem dependência de cocaína, número que representa 0,72% da população com 14 anos ou mais.
Em relação ao crack, cerca de 2,32 milhões de pessoas (1,39%) afirmaram já ter experimentado a substância, e aproximadamente 829 mil (0,5%) disseram tê-la usado no último ano. Os dados indicam estabilidade nas taxas de uso em comparação com levantamentos anteriores, embora o número de usuários ainda seja considerado elevado.
Pela primeira vez, o estudo também investigou a percepção da população sobre o tráfico de drogas. Quase metade dos entrevistados afirmou perceber o tráfico como frequente em seus bairros, com destaque para as regiões Sudeste e Norte, além dos grandes centros urbanos.
Os pesquisadores alertam que o uso de cocaína e crack permanece alto entre populações vulneráveis, especialmente aquelas marcadas por desigualdade social, exclusão e baixa escolaridade. Também reforçam que, devido ao longo intervalo entre os levantamentos, é necessário cautela ao analisar tendências de crescimento ou queda no consumo.
Informações da Agência Brasil