A disseminação dos serviços de transporte de passageiros por motociclistas de aplicativos, como Uber Moto e 99Moto, preocupa especialistas em trânsito e saúde pública. Para o técnico de pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) Erivelton Guedes, trata-se de “uma tragédia anunciada” em um cenário já marcado pela alta mortalidade em colisões e quedas envolvendo motocicletas.
Segundo o Atlas da Violência, enquanto os homicídios diminuem no Brasil, as mortes no trânsito aumentam, impulsionadas principalmente por ocorrências com motos, que já representam um terço das vítimas. Guedes acredita que a popularização dos mototáxis por aplicativo tende a agravar esse quadro.
Ele destaca que o passageiro está ainda mais vulnerável que o condutor e que o uso de roupas e equipamentos inadequados agrava os riscos. Apesar disso, avalia que a proibição do serviço é improvável, devido à forte pressão econômica e à falta de alternativas de trabalho e transporte.
O presidente da Associação Brasileira de Medicina do Tráfego (Abramet), Antonio Meira Júnior, reforça que a probabilidade de morte em acidentes com motos é 17 vezes maior do que em automóveis. Ele lembra que a ausência de proteção física, as condições das vias e a diferença de velocidade em relação a outros veículos tornam os impactos mais graves.
Histórias como a da assistente social Erika Rogatti, que sofreu lesões mesmo em uma queda de baixa velocidade durante uma corrida de aplicativo, ilustram a vulnerabilidade.
Para especialistas em mobilidade, o crescimento desse tipo de transporte está ligado à precariedade do transporte público, sobretudo nas periferias, onde a moto se torna uma solução acessível, embora arriscada. A popularização dos aplicativos ampliou essa tendência, inserindo mais usuários em um sistema de mobilidade pouco regulamentado.
As empresas afirmam investir em medidas de segurança, como checagem de antecedentes, orientações de uso e seguro contra acidentes. No entanto, especialistas alertam que, enquanto não houver melhorias estruturais no transporte coletivo e alternativas seguras de trabalho, a pressão pelo uso de mototáxis continuará, assim como os riscos associados.
Informações da Agência Brasil