O Pacto Nacional pelo Combate às Desigualdades lançou, em Brasília, o terceiro Relatório do Observatório Brasileiro das Desigualdades 2025, produzido pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Do total de 43 indicadores analisados, 25 registraram avanços nos últimos dados disponíveis, com destaque para meio ambiente, trabalho, educação e saúde.
Embora apenas três indicadores tenham apresentado retrocessos (relacionados à saúde e condições de moradia), oito não mostraram mudanças significativas. Apesar da melhora em alguns aspectos, as análises revelam que as desigualdades de raça/cor, gênero e entre regiões brasileiras persistem.
No evento, o deputado Pastor Henrique Vieira (PSol–RJ) ressaltou que as consequências dessas desigualdades não podem ser naturalizadas e que os dados devem orientar políticas de enfrentamento.
Durante a apresentação do documento, o sociólogo Clemente Ganz Lúcio destacou que as desigualdades brasileiras são estruturais em várias dimensões e que, mesmo nos avanços verificados, o ritmo ainda é lento.
Clima e meio ambiente
Entre os destaques positivos, o relatório aponta a redução das emissões de gás carbônico (CO₂) por pessoa no Brasil e uma queda de 41,3% na área desmatada entre 2022 e 2024. No entanto, Acre, Roraima e Piauí registraram aumento no desmatamento. Representantes da sociedade civil alertaram que o avanço do agronegócio segue associado ao desmatamento, concentração de terras e conflitos ambientais.
Educação
Houve aumento no percentual de crianças de 0 a 3 anos em creches, mas a maioria ainda está fora da escola. A escolarização do ensino médio cresceu e o acesso ao ensino superior também, embora em níveis ainda baixos. As mulheres, sobretudo as não-negras, seguem liderando a presença nas universidades.
Renda, riqueza e trabalho
O rendimento médio cresceu, assim como o número de pessoas ocupadas. A taxa de desocupação caiu, com reduções mais significativas entre mulheres e população negra. Mesmo assim, a concentração de renda permanece elevada: os 1% mais ricos ganham mais de 30 vezes o que recebem os 50% mais pobres.
Houve queda na taxa de homicídios de jovens, na proporção de pobres e melhora em indicadores de emprego, mas sem alterar de forma estrutural a desigualdade social.
Saúde
A mortalidade materna caiu de forma significativa, mas Norte e Nordeste continuam acima da média nacional. Em contrapartida, houve aumento nas taxas de óbitos por causas evitáveis e na violência contra mulheres. O feminicídio cresceu entre 2020 e 2024, mesmo com a queda geral das mortes violentas intencionais.
O relatório também mostra desigualdades raciais e regionais em desnutrição infantil, mortalidade de jovens negros, acesso a políticas públicas e maternidade precoce.
Justiça tributária e desigualdades
O estudo defende uma reforma tributária justa, apontando que a carga de imposto de renda é regressiva para os mais ricos. Os dados reforçam a necessidade de tributação progressiva e de maior atenção às populações vulnerabilizadas, como indígenas, que sofrem com violências, desnutrição, assassinatos e falta de dados desagregados por etnia.
Pacto Nacional
O Pacto Nacional pelo Combate às Desigualdades reúne organizações como a Associação Brasileira de Municípios (ABM), Ação da Cidadania, Coalizão Negra por Direitos, Frente Nacional de Prefeitas e Prefeitos (FNP), Fundação Tide Setubal, Instituto Ethos, Instituto de Referência Negra Peregum, Oxfam Brasil, entre outras.
Informações da Agência Brasil