Em dias de jogo no Estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro, é comum ver torcedores consumindo cervejas e refrigerantes nos últimos metros antes dos pontos de revista, já que latinhas não podem entrar no estádio. Antes mesmo de serem descartadas, um verdadeiro exército de catadores já recolhe o material.
Esse trabalho, realizado muitas vezes por pessoas em situação de vulnerabilidade, contribui para que o Brasil mantenha um dos maiores índices de reciclagem de latas de alumínio do mundo, superando 96% há mais de uma década. Em alguns anos, o volume reciclado chega a ultrapassar o comercializado.
Após o descarte, as latas podem voltar às prateleiras em até 60 dias, graças a um sistema de logística reversa que envolve fabricantes, recicladores e cooperativas. Esse modelo está previsto na Política Nacional de Resíduos Sólidos e é considerado referência global em economia circular.
Além do impacto ambiental, a cadeia da reciclagem gera renda em todas as regiões do país. O Movimento Nacional dos Catadores estima que cerca de 800 mil trabalhadores atuem na coleta de materiais recicláveis no Brasil.
Lideranças do setor defendem que, além do pagamento pelo material entregue às recicladoras, os catadores também recebam pelo serviço de coleta em si — uma medida que poderia ser custeada por prefeituras em parceria com a iniciativa privada. A proposta busca valorizar o trabalho, melhorar as condições de vida e incluir catadores autônomos em políticas públicas voltadas à logística reversa.
Informações da Agência Brasil