Os casos de violência sexual contra crianças na primeira infância cresceram mais de quatro vezes no Brasil entre 2014 e 2024, segundo dados divulgados pelo Atlas da Violência 2026, produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).
De acordo com o levantamento, os registros envolvendo crianças de 0 a 4 anos passaram de 1.671 casos, em 2014, para 7.845 notificações em 2024. Na faixa etária entre 5 e 14 anos, os casos aumentaram de 6.594 para 29.135 no mesmo período. Entre adolescentes de 15 a 19 anos, os registros cresceram de 1.632 para 6.869 ocorrências.
O estudo revela ainda que cerca de dois terços das violências sexuais contra crianças de até 14 anos acontecem dentro da própria residência. Entre vítimas de até 4 anos, esse percentual chega a quase 80% dos casos registrados.
Os pesquisadores apontam que meninas são as principais vítimas desse tipo de violência. Segundo o Atlas, 86,9% das notificações de violência sexual atingem crianças e adolescentes do sexo feminino, enquanto 13,1% envolvem meninos.
O relatório também destaca que fatores ligados às relações de poder, controle do corpo feminino e desigualdades de gênero ajudam a explicar a maior incidência dos crimes contra meninas. A partir da adolescência, os casos passam a envolver ainda situações de coerção em relacionamentos, pressão sexual e violência mediada pelas redes sociais.
Especialistas defendem o fortalecimento de políticas públicas de proteção, além da atuação das escolas e dos serviços de saúde na identificação precoce dos sinais de abuso. O debate ganhou força durante o Maio Laranja, campanha nacional de combate ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes.



