A liberdade de expressão no mundo diminuiu 10% entre 2012 e 2024, um recuo considerado comparável ao registrado durante a Primeira Guerra Mundial, segundo alertou a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).
O dado consta do estudo “Tendências do jornalismo: configuração num mundo de paz 2022/2025”, divulgado na segunda-feira (15). O relatório relaciona a queda da liberdade de expressão a uma série de fatores preocupantes no ecossistema da mídia, incluindo o aumento da autocensura, o enfraquecimento de instituições democráticas, a perda de confiança do público e a crescente polarização.
De acordo com a Unesco, a redução na liberdade de expressão ocorreu junto com retrocessos em temas como igualdade e uma hostilidade maior contra jornalistas, cientistas e pesquisadores ambientais. A expansão das grandes empresas de tecnologia teria criado um ambiente propício à disseminação de discurso de ódio e desinformação na internet, dificultando ainda mais a pluralidade e diversidade dos meios de comunicação.
O relatório também mostra que a queda no índice foi moderada entre 2012 e 2019, mas acelerou a partir de 2020, principalmente desde 2022, com uma taxa anual de declínio superior à média do período. Repórteres enfrentam mais assédios e ameaças físicas, especialmente em zonas de conflito, e a autocensura entre profissionais aumentou significativamente ao longo da década.
Além disso, o crescimento da vigilância digital e de leis restritivas criou obstáculos maiores para o jornalismo independente, ao mesmo tempo em que a impunidade em casos de violência contra jornalistas permanece alta. A Unesco observa ainda que, embora o acesso à internet tenha aumentado globalmente, o índice de democracia tem caído, com regimes autocráticos superando democracias pela primeira vez em décadas, fazendo com que cerca de 72% da população mundial viva sob regras não democráticas.
Fonte: CBS Brasil



