A economia brasileira registrou uma queda de 0,3% em outubro em comparação com setembro, segundo o Monitor do PIB, estudo mensal da Fundação Getulio Vargas (FGV). Esse é o segundo mês seguido de retração na atividade econômica, depois de setembro ter recuado 0,6%.
Especialistas apontam que a principal razão para essa perda de fôlego é o alto nível da taxa básica de juros, a Selic, que está em 15% ao ano, a mais elevada desde 2006. Juros altos elevam o custo do crédito, desestimulam investimentos e reduzem o consumo, atuando como um “freio” na economia.
Apesar da queda mensal, a economia ainda apresenta crescimento em outras comparações. Em relação a outubro de 2024, o Produto Interno Bruto (PIB) aumentou 1%, e no acumulado dos últimos 12 meses o PIB brasileiro avançou 2,3%. No trimestre móvel encerrado em outubro, houve crescimento de 1,5% em relação ao mesmo período de 2024.
A economista responsável pelo levantamento, Juliana Trece, observa que tanto a produção quanto a demanda contribuíram para o desempenho fraco em outubro. Setores como a agropecuária e a indústria tiveram resultados menos robustos, enquanto investimentos e consumo do governo ajudaram a puxar os números para baixo.
Por outro lado, o consumo das famílias cresceu 0,5% no trimestre móvel, impulsionado principalmente por serviços e bens semiduráveis, e as exportações tiveram um forte desempenho, com alta de 8,9%, sustentando parte da atividade econômica.
Os dados do Monitor do PIB complementam outros indicadores econômicos. O Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) do Banco Central mostrou retração de 0,2% em outubro, reforçando o cenário de desaceleração.
O Banco Central tem mantido a Selic em patamar elevado desde meados de 2025 para combater a inflação, que só recentemente voltou ao centro da meta após mais de um ano fora do intervalo permitido. Essa política, embora eficaz no controle dos preços, tem pressionado o ritmo de crescimento econômico.
O resultado oficial do PIB é divulgado trimestralmente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No terceiro trimestre de 2025, a economia cresceu 0,1%, com alta de 2,7% nos últimos 12 meses. O próximo relatório sobre o desempenho no quarto trimestre será divulgado em março de 2026.
Fonte: Agência Brasil



