Uma pesquisa recente chamada Respeite o meu terreiro, feita em 2025 com líderes de 511 terreiros de religiões afro-brasileiras, revela que 76% dessas casas religiosas já sofreram algum tipo de violência — seja pela destruição de espaços sagrados, ameaças, depredação, furtos ou ataques motivados por racismo religioso. Além disso, 80% dos entrevistados afirmaram já ter vivenciado diretamente episódios de racismo religioso, e 52% denunciaram ter sofrido assédio ou discriminação na internet, em redes sociais.
Os relatos mostram desde agressões verbais e xingamentos até invasões, destruição de objetos religiosos e outras formas de violência grave — como no caso do terreiro Ìlé Àṣé Ìyá Ọṣún, em Aracaju, que teve sua sede depredada e itens sagrados profanados. Embora a lei reconheça o racismo religioso como crime, menos de 30% dos casos registrados pelas lideranças resultaram em boletim de ocorrência, o que evidencia dificuldades no acesso à justiça e subnotificação.
O levantamento, apoiado pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) e apresentado à Organização das Nações Unidas (ONU), aponta a urgência de políticas públicas eficazes, proteção efetiva e maior conscientização social para coibir o racismo religioso e garantir o respeito aos povos de matriz africana no Brasil.
Fonte: Agência Brasil



