Quem pretende ingressar no serviço público deve encontrar um cenário mais favorável nos próximos meses. Levantamento do Qconcursos aponta que pelo menos 54.842 vagas em concursos públicos já estão confirmadas para o segundo semestre em órgãos federais, estaduais e municipais. As remunerações chegam a R$ 34.279,28 e as oportunidades contemplam candidatos de todos os níveis de escolaridade.
A expectativa é que esse número ainda aumente, já que diversos concursos aguardam apenas a publicação dos editais para definir o cronograma e o total de vagas. Segundo o coordenador do Qconcursos, Luiz Rezende, o segundo semestre deve marcar a retomada dos grandes concursos públicos e concentrar algumas das seleções mais aguardadas pelos candidatos.
“Há duas carreiras com alto potencial de vagas e interesse dos alunos no segundo semestre. A primeira é a policial, com destaque para os concursos da Polícia Militar do Rio de Janeiro, da Polícia Científica de São Paulo e da Polícia Civil da Bahia”, afirma. Ele também chama atenção para a área bancária. “Temos movimentações importantes tanto no Banco do Brasil quanto na Caixa Econômica Federal. Estamos falando de dois dos maiores concursos do país, que historicamente atraem mais de um milhão de inscritos”, destaca.
Concursos policiais devem liderar a disputa
A área de segurança pública deve concentrar parte da concorrência neste segundo semestre. Somente os concursos das Polícias Militares têm potencial para oferecer mais de 8 mil vagas, considerando seleções previstas em estados como São Paulo, Bahia, Rio de Janeiro e Piauí. Também são esperados concursos para Polícias Civis, Polícia Penal e Polícia Científica. Segundo Rezende, esses editais tradicionalmente atraem um grande número de candidatos por reunirem muitas vagas e boas perspectivas de carreira.
Banco do Brasil segue entre os mais aguardados
Outro concurso que continua no radar dos concurseiros é o do Banco do Brasil. Embora o edital ainda não tenha sido publicado, o banco realizou recentemente uma pesquisa interna sobre as atribuições dos futuros empregados e mantém movimentações relacionadas à preparação de uma nova seleção. Os dois últimos concursos, realizados em 2021 e 2023, registraram cerca de 1,5 milhão de inscritos cada. Além do Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal e o Banco do Nordeste também estudam novas seleções.
Salários chegam a R$ 34 mil
As maiores remunerações previstas para este segundo semestre estão concentradas nas carreiras jurídicas e fiscais. Na Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro, os salários variam de R$ 10.986,95 a R$ 34.279,28. Já a Advocacia-Geral da União (AGU) prevê remuneração de até R$ 32.449,52, enquanto o Tribunal de Justiça da Bahia oferece salário de R$ 31.975,77 para o cargo de juiz. Na área fiscal, um dos destaques é o concurso da Secretaria de Fazenda do Distrito Federal (Sefaz-DF), com remuneração inicial de R$ 23.597,07 para auditor-fiscal.
IBGE e INSS devem concentrar o maior número de vagas
Entre os concursos com maior quantidade de oportunidades previstas, o destaque é o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que deverá abrir cerca de 39 mil vagas temporárias para atuação no novo Censo. Na sequência aparece o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), com expectativa de aproximadamente 10 mil vagas.
Bahia e São Paulo estão entre os estados com mais oportunidades
A Bahia reúne concursos previstos para Polícia Militar, Polícia Civil e Secretaria da Fazenda. O Maranhão também concentra seleções nas áreas policial, penal e pericial. Já São Paulo lidera em número absoluto de vagas, impulsionado principalmente pelo concurso da Polícia Militar. Rio de Janeiro, Distrito Federal, Paraná, Piauí e Alagoas também devem registrar forte movimentação nos próximos meses.
Perfil dos candidatos mudou
Segundo Luiz Rezende, a pandemia de Covid-19 aumentou o interesse dos brasileiros pelas carreiras públicas e tornou a preparação para concursos mais profissionalizada. “Muita gente que antes não considerava seguir carreira pública passou a enxergar essa possibilidade após a pandemia. Ao mesmo tempo, quem já estudava passou a utilizar melhor as ferramentas digitais e profissionalizou a preparação. Isso elevou o nível de competitividade e as notas de corte dos concursos”, afirma.
De acordo com o especialista, o interesse dos candidatos também acompanha as prioridades das políticas públicas. O debate sobre segurança pública, por exemplo, ajuda a impulsionar a procura por concursos policiais, enquanto outras áreas ganham destaque conforme passam a ocupar espaço na agenda nacional.



