No Recife, um projeto inovador ensina robótica a jovens privados de liberdade, com o objetivo de resgatar autoestima, criar novas oportunidades e permitir a reinserção na sociedade.
O estudante e pesquisador Daniel Messias, do Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife (CESAR), se inspira na filosofia zulu “sawabona-shikoba”: ver o outro, valorizar sua essência, em vez de rotulá-lo apenas pelos erros. Ele acredita que a educação deve ser restaurativa, reconhecendo as qualidades dos jovens, não apenas seus equívocos.
Por meio da metodologia da plataforma Roboliv.re, criada pelo engenheiro de sistemas Henrique Foresti, os participantes aprendem robótica e pensamento computacional. A primeira turma contou com 18 jovens egressos, e uma segunda turma, composta por adolescentes ainda em unidades da Fundação de Atendimento Socioeducativo de Pernambuco (Funase), está em andamento.
Segundo os idealizadores, muitos desses jovens acreditavam não ter chances de voltar a pertencer à sociedade. No entanto, o contato com a tecnologia transforma essa visão — e revela que eles têm criatividade, resiliência e capacidades inovadoras que podem ser úteis em diversos contextos.
Os pesquisadores planejam agora mapear as habilidades dos jovens por meio de testes vocacionais, para construir planos de carreira alinhados com o mercado de trabalho. Também estudam a criação de uma startup em parceria com unidades socioeducativas, para dar continuidade ao suporte quando os jovens deixam o sistema.
Messias alerta para a falta de assistência após a saída dos jovens: a ausência de suporte estatal favorece a reincidência, muitas vezes levando-os de volta ao crime porque encontram na violência “rede de apoio” e sustento imediato.
Ele também lembra sua própria trajetória: criado em um bairro de alta vulnerabilidade no Recife e tendo cumprido medidas socioeducativas na adolescência, ele entende profundamente a importância de oferecer oportunidades reais de transformação.
Finalmente, além da robótica, o projeto deve usar testes vocacionais para desenhar planos profissionais e traçar caminhos para a inserção econômica desses jovens, em parceria com empresas do Porto Digital, grande polo tecnológico local.
Fonte: Agência Brasil



