O preço dos imóveis residenciais continua avançando em Salvador em ritmo superior ao observado no restante do país. Em junho, as unidades acompanhadas pelo Índice Geral do Mercado Imobiliário Residencial (IGMI-R) ficaram 0,97% mais caras na capital baiana, praticamente repetindo a alta de 0,98% registrada em maio.
O resultado mensal foi mais de duas vezes superior à média brasileira, de 0,38%. No primeiro semestre, Salvador acumulou valorização de 6,73%, também acima dos 4,99% registrados nacionalmente, segundo levantamento da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), em parceria com o FGV Ibre.
A maior diferença aparece na comparação de 12 meses. Embora tenha recuado levemente dos 24,62% contabilizados até maio para 24,29% em junho, a valorização dos imóveis em Salvador continuou muito acima da alta nacional, de 17,49%. A redução da taxa não representa queda dos preços, mas uma desaceleração moderada no ritmo de encarecimento.
Ao analisar o comportamento do mercado imobiliário no início do ano, a Abecip atribuiu a valorização a fatores que vão além do aumento dos custos das obras. “A valorização dos imóveis não está diretamente associada aos custos de construção, mas, sim, a fatores estruturais, como oferta limitada, demanda consistente e recomposição da renda das famílias”, afirmou a entidade.
Movimento
O movimento já podia ser observado nos primeiros meses de 2026. Em fevereiro, os preços residenciais avançaram 1,65% em Salvador, segunda maior alta entre as dez capitais monitoradas pela Abecip, atrás apenas de Goiânia, com 2,54%. Naquele momento, a média nacional havia ficado em 0,93%.
Nos dois primeiros meses do ano, a capital baiana acumulou alta de 2,57%, mais de três vezes o resultado do mesmo período de 2025, quando a variação havia sido de 0,78%. Foi ainda o quarto maior avanço para um primeiro bimestre em Salvador desde o início da série histórica, em 2016.
O IGMI-R considera dados de imóveis residenciais financiados com recursos do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE). O indicador é baseado nas operações informadas pelas instituições financeiras e não representa todas as vendas realizadas na cidade, como compras à vista ou financiamentos contratados por outras modalidades.
Brotas lidera valorização
O avanço dos preços também aparece quando o mercado é observado por bairros. Segundo o Índice FipeZap, que acompanha os valores anunciados de apartamentos residenciais, Salvador registrou alta de 12,42% em 12 meses até junho. O preço médio chegou a R$ 8.570 por metro quadrado.
Entre os bairros representativos monitorados pelo levantamento, Brotas apresentou a maior valorização anual, de 23,4%. O metro quadrado no bairro foi estimado em R$ 9.917, valor acima da média da capital. Ondina apareceu em seguida, com aumento de 15,4%, enquanto a Graça acumulou alta de 15,2%. Na Barra, os preços avançaram 14,1% em um ano, e o bairro manteve o metro quadrado mais caro entre os analisados, avaliado em R$ 12.932.
Os levantamentos observam diferentes etapas do mercado. Enquanto o IGMI-R, da Abecip, utiliza dados de imóveis residenciais financiados pelo Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo, o FipeZap considera os preços pedidos nos anúncios. Ainda assim, os dois indicadores apontam a manutenção do encarecimento dos imóveis em Salvador.
Valorização
A valorização ocorre em um momento de aumento das vendas e redução da quantidade de imóveis disponíveis no mercado formal. Dados divulgados pela Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário da Bahia (Ademi-BA) mostraram que Salvador chegou a maio com estoque de 3.412 unidades, o menor dos últimos anos, segundo a entidade.
No mesmo mês, foram comercializados 721 imóveis residenciais na capital, crescimento de 74% em comparação com maio de 2025. O Valor Geral de Vendas (VGV) alcançou R$ 553 milhões, acima dos R$ 483 milhões registrados em abril. Os apartamentos compactos responderam por 63% das unidades vendidas.
Para a Ademi-BA, os números refletem um mercado aquecido. “O conjunto dos indicadores reforça um cenário de confiança para o mercado imobiliário baiano. A combinação entre recorde de intenção de compra no Nordeste, crescimento das vendas, expansão do VGV, redução dos estoques e valorização dos empreendimentos sinaliza um ambiente favorável para incorporadoras, investidores e consumidores”, avaliou a entidade.



