A tecnologia agora resolve em segundos as tarefas que antes serviam para estagiários, trainees e cargos de nível júnior aprenderem a profissão. Enquanto o uso da IA avança sem freio nas corporações, a maioria das empresas ainda não sabe como formar e dar espaço para a nova geração dos profissionais.
Um levantamento da Leapy revela um dado preocupante: 82% dos chefes e gestores responsáveis por contratar estagiários e trainees no Brasil admitem que não sabem como ajustar essas vagas ao avanço da inteligência artificial.
Para piorar, quase metade das empresas pesquisadas, cerca de 45%, nem sequer sentou para discutir o assunto ainda.
O tombo nas contratações não é apenas uma impressão do dia a dia, mas uma realidade confirmada pelos números.
Segundo a Revelio Labs, o volume de admissões para vagas de nível inicial despencou 35% nos últimos 18 meses no país.
No mesmo sentido, um estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV) com dados do PNAD Contínua do IBGE mostrou que os efeitos da inteligência artificial sobre o emprego e a renda pesam muito mais no bolso de quem tem entre 18 e 29 anos.
Na mesma linha, estudos da Anthropic apontam uma retração contínua na admissão de profissionais iniciantes em setores mais expostos à automação.
A matemática é simples e cruel: como as tarefas mais repetitivas agora são feitas por robôs, muitas empresas cortaram os cargos mais simples onde os novatos costumavam aprender a trabalhar.
Exigência por domínio de tecnologia cresce nas empresas, mas oferta de treinamento estagna
Existe ainda uma contradição curiosa dentro dos escritórios. A pesquisa mostra que 59% das empresas incentivam que seus profissionais mais jovens usem inteligência artificial diariamente para entregar resultados mais rápidos.
Porém, só 14% criaram trilhas estruturadas de capacitação para ensinar os jovens a usar essas ferramentas da forma certa.
Ou seja, o mercado passa por grande descompasso. Cobra que o iniciante domine a tecnologia sozinho, sem oferecer o suporte necessário para que ele desenvolva uma visão crítica e estratégica sobre o que está fazendo.



