O Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (Muncab), localizado em Salvador, inaugura na próxima sexta-feira (13), às 19h, a exposição “Inclassificáveis”. A mostra reúne mais de 100 obras de arte afro-brasileira que retornaram ao país em janeiro, integrando um conjunto de mais de 600 peças — considerado o maior acervo artístico já repatriado para o Brasil.
A exposição tem curadoria de Jamile Coelho e Gil Soares e a entrada será por ordem de chegada. A diretora do museu, Cíntia Maria, destaca que a iniciativa também busca reconhecer e valorizar artistas que, em muitos casos, não tiveram o devido destaque em vida, funcionando como uma forma de reparação histórica.
Entre as obras expostas há pinturas, esculturas, fotografias, gravuras, xilogravuras, objetos rituais, peças de arte sacra e outros trabalhos. As produções retratam temas ligados à cultura e à história afro-brasileira, como o Carnaval, o Pelourinho, o candomblé, a Irmandade da Boa Morte, manifestações populares, revoltas históricas e o período da escravidão.
As peças pertenciam à coleção formada por uma professora e uma artista plástica dos Estados Unidos, Bárbara Cervenka e Marion Jackson, que decidiram doar o material ao museu. O acervo foi reunido ao longo de cerca de 30 anos e inclui trabalhos de 135 artistas da Bahia, Pernambuco e Ceará, sendo a maioria deles afro-brasileiros.
A repatriação das obras foi resultado de cerca de cinco anos de negociações e contou com o envolvimento da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo de Salvador, dos ministérios da Cultura e da Fazenda, além do apoio de instituições como Petrobras, Wilson Sons, embaixadas e a Alfândega da Receita Federal.
Depois de chegarem a Salvador, em 12 de janeiro, as peças passaram por processos de registro, catalogação e, em alguns casos, restauração. Aproximadamente 130 profissionais atuam no trabalho de organização do acervo, entre curadores, restauradores, historiadores, produtores e técnicos.
Segundo a direção do Muncab, a exposição também deve despertar um sentimento de identificação no público local, especialmente para moradores do Centro Histórico e do Pelourinho, onde muitos dos artistas representados viveram ou produziram suas obras.
Antes mesmo da chegada do acervo ao Brasil, o museu já recebia contatos de pesquisadores interessados no material. No entanto, as mais de 600 obras ainda passam por etapas de documentação, inventário, higienização e restauração antes de serem totalmente liberadas para pesquisa.
Com a incorporação desse conjunto, o Muncab passa a reunir uma das maiores coleções de arte afro-brasileira do país. O museu funciona de terça a domingo, das 10h às 17h, com entrada até 16h30. Os ingressos custam R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia), com acesso gratuito às quartas-feiras e aos domingos. Escolas públicas e instituições sociais também podem solicitar gratuidade para visitas.
Fonte: Secom PMS



