Caravanas de diversas partes do Brasil se dirigem à Esplanada dos Ministérios, em Brasília, para a 2ª Marcha das Mulheres Negras, com o tema “Por Reparação e Bem-Viver”. A expectativa dos organizadores é reunir cerca de 300 mil pessoas. A mobilização, promovida pelo Comitê Nacional da Marcha das Mulheres Negras, reivindica direitos básicos como moradia, emprego e segurança, além de uma vida digna, livre de violência, e demandas por reparação.
A marcha faz parte da programação da Semana por Reparação e Bem-Viver — que vai de 20 a 26 de novembro — e engloba debates, atividades e apresentações culturais para celebrar o protagonismo das mulheres negras no país. Esta é a segunda edição do evento, que coincide com o mês do Dia Nacional da Consciência Negra, celebrado em 20 de novembro.
A versão de 2025 acontece dez anos após a primeira marcha, realizada em 2015, quando mais de 100 mil mulheres negras marcharam por temas como racismo, feminicídio, violência e trabalho. Neste ano, a pauta inclui também a mobilidade social e os impactos históricos da escravidão, destacando a luta contra desigualdades econômicas.
A marcha tem caráter nacional e internacional: mulheres negras da diáspora africana e de países latino-americanos participam para fortalecer a articulação global contra o racismo, o colonialismo e o patriarcado. Entre as participantes está Melina de Lima, neta da antropóloga Lélia Gonzalez, referência no feminismo negro e idealizadora dos conceitos de “amefricanidade” e “pretuguês”.
Segundo dados do Ministério da Igualdade Racial, meninas e mulheres negras representam cerca de 60,6 milhões de pessoas no Brasil — o que corresponde a cerca de 28% da população —, reforçando a importância política e social da marcha.
Fonte: Agência Brasil



