No Brasil, muitas mulheres que enfrentam dependência de álcool pedem que as políticas públicas ofereçam atenção e serviços específicos para suas necessidades. Dados recentes mostram que mais de 7% das mulheres adultas no país têm diagnóstico de alcoolismo, e a curitibana Lúcia*, que passou por esse processo e percebeu vulnerabilidades graves, defende que o acolhimento deve ser mais direcionado.
Diante desse cenário, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a Lei 15.281, que prevê assistência multiprofissional especializada para mulheres usuárias e dependentes de álcool, fortalecendo a oferta de cuidados mais adequados para esse público.
A psiquiatra Natalia Haddad, vice-presidente do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (Cisa), destaca que é essencial considerar as diferenças de gênero no tratamento, já que mulheres enfrentam impactos biológicos, sociais e estigmas que tornam sua jornada de recuperação distinta da dos homens. Entre esses desafios está o fato de que os efeitos do álcool podem ser mais intensos no corpo feminino, e que muitas enfrentam jornadas duplas ou triplas de trabalho e responsabilidades familiares.
Haddad também ressalta que as políticas devem contemplar diferentes fases da vida e situações específicas, como gestantes e adolescentes, além de considerar recortes sociais importantes, pois as mortes relacionadas ao álcool são mais frequentes entre mulheres pretas e pardas.
Representantes de grupos de apoio, como Alcoólicos Anônimos, afirmam que espaços e serviços voltados exclusivamente para mulheres ajudam a proporcionar um ambiente mais acolhedor e seguro para troca de experiências e fortalecimento na recuperação.
*Nomes alterados para preservar anonimato.



