Moradores do Vale do Capão dizem que os preços de alimentos e itens básicos ficaram muito altos recentemente. Eles acreditam que isso começou depois da pavimentação da estrada — trecho da BA‑849 — que liga o vilarejo ao município de Palmeiras (BA). Com a estrada funcionando bem, muitas pessoas de fora — turistas, em especial — passaram a frequentar o local.
Entre os relatos, uma moradora afirma que itens simples, como frutas produzidas na própria região, tiveram o preço mais que dobrado: uma penca de bananas que custava R$ 4 passou a ser vendida por mais de R$ 10. Um pacote de cacau em pó, antes R$ 26, agora é vendido a R$ 39.
Quem vive no Capão conta que antes conseguia fazer compras mensais gastando entre R$ 150 e R$ 200, mas hoje esse gasto básico subiu para R$ 300 ou R$ 400, mesmo comprando “coisas do dia a dia”. Isso torna difícil manter a casa e a alimentação sem precisar viajar para outro município — o que nem sempre compensa.
Além disso, o preço de refeições prontas na vila também disparou: o prato feito (“PF”) já não sai por menos de R$ 30. Para quem vive com salário mínimo ou renda pequena, isso faz com que seja quase impossível garantir uma alimentação decente — muitas famílias dizem recorrer a cestas básicas ou buscar alternativas de economia, como compras em grupo.
Esse cenário tem gerado um sentimento de “expulsão” por parte de moradores antigos do Capão: quem sempre viveu por ali afirma que, com o aumento do custo de vida, já não consegue se manter no lugar em que cresceu, e teme que a identidade da vila mude radicalmente com os altos preços e o fluxo crescente de visitantes.
Fonte: Correio 24 Horas



