A ex-presidente do Chile Michelle Bachelet anunciou que desistiu da candidatura ao cargo de secretária-geral da Organização das Nações Unidas (ONU). Ela buscava suceder António Guterres, cujo segundo mandato termina no fim deste ano.
A decisão ocorreu após Bachelet registrar 1 voto favorável, 11 contrários e três abstenções na consulta informal mais recente do Conselho de Segurança. Na votação anterior, em agosto, ela havia recebido 2 votos favoráveis, 6 contrários e 7 abstenções.
Em anúncio publicado no Instagram, Bachelet afirmou que não se “arrepende de ter assumido este grande desafio”. Ela também defendeu que a candidatura ajudou a colocar em discussão a possibilidade de uma mulher latino-americana ocupar o comando da organização.
“Estou convencida de que este era precisamente o momento de erguermos nossas vozes em defesa desses princípios”, escreveu, ao citar valores como multilateralismo, direito internacional, democracia e direitos humanos.
A candidatura havia sido apoiada por Brasil e México, enquanto o Chile retirou o respaldo durante o processo. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a receber Bachelet em Brasília como parte das articulações para a sucessão na ONU.
“Sou especialmente grata ao Presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e à Presidente do México, Claudia Sheinbaum, que apoiaram esta candidatura desde o primeiro dia com generosidade e convicção. Quero também agradecer ao povo do Chile e aos cidadãos de todo o mundo que expressaram seu carinho e apoio”, escreveu.
Na consulta mais recente, Rebeca Grynspan, da Costa Rica, recebeu nove votos favoráveis, enquanto Carolyn Rodrigues-Birkett, da Guiana, teve oito. A escolha do próximo secretário-geral ainda depende de novas etapas no Conselho de Segurança e da aprovação da Assembleia Geral.
Bachelet foi presidente do Chile entre 2006 e 2010 e de 2014 a 2018. Na ONU, comandou a ONU Mulheres e foi alta comissária para os Direitos Humanos.



