A inflação oficial do país registrou alta de 0,18% em novembro, segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo. Com esse resultado, o indicador acumula avanço de 4,46% nos últimos 12 meses e volta a se posicionar dentro da meta estabelecida pelo governo federal, cujo teto é de 4,5%. O movimento interrompe um período de 13 meses seguidos em que a inflação havia ultrapassado o limite permitido pelo Conselho Monetário Nacional, devolvendo o IPCA ao intervalo considerado adequado para a política econômica.
O resultado de novembro também chama atenção por ser o menor para este mês desde 2018, quando o índice havia registrado queda de 0,21%. Apesar da desaceleração, alguns itens ainda exerceram forte peso no cálculo. O maior impacto individual veio das passagens aéreas, que subiram 11,9% e adicionaram 0,07 ponto percentual à inflação do mês. A demanda mais elevada e o aumento dos custos operacionais continuam influenciando o preço das passagens, mantendo o setor entre os mais voláteis do índice.
Entre os grupos de despesa, habitação apresentou avanço de 0,52%, contribuindo com 0,08 ponto percentual. No mesmo sentido, vestuário subiu 0,49%, enquanto transportes, pressionados principalmente pelas passagens aéreas, tiveram alta de 0,22%. Despesas pessoais também mostraram forte elevação, com aumento de 0,77% e impacto de 0,08 ponto percentual no total.
Por outro lado, alguns segmentos atuaram no sentido contrário e ajudaram a limitar uma inflação maior. Alimentação e bebidas tiveram variação levemente negativa de 0,01%, refletindo estabilidade nos preços de itens básicos após meses de oscilação. Artigos de residência recuaram 1%, enquanto saúde e cuidados pessoais registraram queda de 0,04%. A comunicação teve baixa de 0,20%, contribuindo para reduzir a pressão geral sobre o índice.
Dentro do grupo de despesas pessoais, um destaque específico foi o aumento nos preços de hospedagem, que subiram 4,09%. Essa variação é atribuída principalmente à realização da Conferência do Clima (COP30) em Belém, que ampliou a demanda por acomodações na cidade e elevou os preços durante o período do evento internacional.
Outro ponto relevante do mês foi a energia elétrica residencial, que avançou 1,27% em novembro e adicionou 0,05 ponto percentual à inflação. Mesmo com o leve alívio recente, a energia continua sendo um dos itens com maior influência sobre o IPCA ao longo de 2025. No acumulado do ano, já apresenta alta de 15,08%, e em 12 meses, de 11,41%. Apenas o aumento na conta de luz responde por aproximadamente 0,46 ponto percentual do total de 4,46% registrados pelo índice.
Para calcular o IPCA, o IBGE acompanha a variação de preços de 377 itens consumidos por famílias com renda entre um e 40 salários mínimos. A coleta é realizada em várias regiões metropolitanas do país, incluindo São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Belo Horizonte, Recife, entre outras, oferecendo um panorama representativo do comportamento dos preços no Brasil.
O retorno da inflação ao teto da meta é visto como um sinal positivo no final do ano, especialmente diante das pressões acumuladas em setores como energia, transportes e serviços. O resultado tende a influenciar as expectativas do mercado e as decisões da política monetária, ao mesmo tempo em que alivia o orçamento das famílias após um período prolongado de preços acima do esperado.
Fonte: Agência Brasil



