Os dados são do Índice de Inadimplência Locatícia (IIL), elaborado pela Superlógica a partir de informações de mais de 800 mil locatários no país. O levantamento considera inadimplentes os boletos que permanecem sem pagamento por mais de 60 dias ou que foram quitados com atraso superior a esse período.
A taxa baiana oscilou ao longo do primeiro semestre e atingiu o maior patamar do período em fevereiro, quando chegou a 6,84%, ante 5,13% em janeiro. O índice passou para 6,46% em março e 6,51% em abril, antes de iniciar a sequência de quedas para 5,75% em maio e 4,62% em junho.
Resultados
Mesmo após duas reduções consecutivas, a taxa de junho ficou 0,52 p.p. acima do resultado registrado no mesmo mês do ano passado. Segundo Manoel Gonçalves, diretor de Negócios para Imobiliárias da Superlógica, ainda não é possível afirmar que os últimos resultados representam uma tendência de redução da inadimplência.
“A queda da inadimplência na Bahia pode indicar um esforço das famílias para retomar o controle do orçamento, mas o cenário ainda é preocupante. Mesmo após duas baixas consecutivas, em maio e agora em junho, ainda é cedo para determinar uma tendência de melhora. É importante seguir de olho nas projeções de aumento na inflação e nas taxas de juros, que são fatores determinantes para a estabilidade financeira no curto prazo e podem impactar ainda mais a capacidade de pagamento das famílias e, consequentemente, o aluguel”, afirma Gonçalves.
Taxa
O resultado da Bahia ficou abaixo da média do Nordeste, que registrou inadimplência de 5,15% em junho e mantém desde fevereiro a maior taxa entre as cinco regiões brasileiras. O índice nordestino recuou 0,24 p.p. em relação a maio, mas permaneceu 1,95 p.p. acima da média nacional de 3,20%.
Entre os tipos de imóveis no Nordeste, os comerciais apresentaram a maior inadimplência, com taxa de 7,23% em junho, ante 7,84% em maio. As casas alcançaram 6,24%, acima dos 5,76% do mês anterior, enquanto os apartamentos tiveram redução de 3,85% para 3,52%.
Na comparação entre as regiões, o Norte ocupou a segunda posição em junho, com taxa de 4,30%, após registrar 4,38% em maio. Centro-Oeste e Sudeste apareceram em seguida, com 3% e 2,96%, respectivamente, enquanto o Sul teve o menor índice do país, de 2,71%. No país, a inadimplência de aluguel recuou 0,02 p.p. em junho, de 3,22% para 3,20%, e ficou 0,39 p.p. abaixo dos 3,59% registrados no mesmo mês de 2025. Desde março, o indicador nacional oscila em uma faixa de 0,04 p.p., com taxas de 3,21% em março, 3,18% em abril, 3,22% em maio e 3,20% em junho.
Imóveis
Os imóveis comerciais apresentaram a maior taxa de inadimplência do país entre os três tipos analisados, com 4,19% em junho, abaixo dos 4,39% de maio. As casas passaram de 3,69% para 3,45%, enquanto os apartamentos registraram redução de 2,35% para 2,16% no mesmo intervalo.
O recorte nacional por valor do aluguel mostra que os imóveis comerciais de até R$ 1 mil concentraram a maior taxa em junho, de 7,40%, mesmo após queda de 0,20 p.p. no mês. Entre os imóveis residenciais, a inadimplência também foi maior nessa faixa de preço e chegou a 6,27%.
“Os aluguéis mais baixos, em ambos os casos, acabam sendo impactados pela sensibilidade econômica das micro e pequenas empresas, que enfrentam desafios financeiros nesse início de jornada, e das famílias de menor renda em detrimento ao custo de vida”, explica Gonçalves. Entre as faixas pesquisadas, a única alta em junho ocorreu nos imóveis comerciais com aluguel de R$ 5 mil a R$ 8 mil, cuja inadimplência avançou 0,11 p.p. e chegou a 3,90%.
As menores taxas foram registradas nos imóveis residenciais com aluguel entre R$ 3 mil e R$ 5 mil, com 1,68%, e nos comerciais entre R$ 2 mil e R$ 3 mil, com 3,36%. Já os aluguéis acima de R$ 13 mil tiveram índices de 5,42% nos imóveis residenciais e 4,63% nos comerciais, segundo o levantamento



