A Inteligência Artificial vem ganhando espaço central no sistema financeiro, apresentada como sinônimo de inovação e eficiência, sobretudo pela promessa de redução de custos. No entanto, esse discurso de modernização encobre efeitos profundos sobre o trabalho humano e sobre o acesso da população aos serviços bancários.
Dados da Febraban indicam que 74% das instituições financeiras destacam a diminuição de despesas e o aumento da produtividade como principais benefícios do uso da IA. Esse dado evidencia a lógica predominante da adoção da tecnologia, voltada principalmente ao enxugamento de custos, especialmente com mão de obra.
A ampliação da automação representa uma ameaça direta aos empregos e aprofunda a precarização das relações de trabalho. Para a população, os impactos também são significativos. Os sistemas automatizados tendem a reproduzir desigualdades históricas, afetando moradores de regiões afastadas dos grandes centros, trabalhadores informais e pessoas de menor renda, que podem ser prejudicados por algoritmos incapazes de considerar contextos locais e realidades sociais, ampliando a exclusão financeira.
Atualmente, cerca de metade dos bancos já utiliza a Inteligência Artificial de forma ampla na análise de crédito. Esse avanço ocorre sem um debate público consistente, sem garantias efetivas de proteção aos empregos e sem mecanismos claros de responsabilização sobre as decisões tomadas por sistemas automatizados.
Fonte: Bancários Bahia



