Cinquenta milhões de brasileiros já usam inteligência artificial (IA) generativa — cerca de 32% das pessoas com acesso à internet no país — segundo a pesquisa CGI.br divulgada em 2025.
Contudo, o estudo revela um abismo no uso dessa tecnologia quando se considera renda e escolaridade: entre os da classe A, 69 % usam IA; nas classes D e E, esse índice cai para apenas 16 %. Da mesma forma, 59 % das pessoas com ensino superior afirmam usar IA, contra 17 % das que têm apenas ensino fundamental.
Essa disparidade evidencia que, embora a expansão da IA seja rápida, a “inclusão digital significativa” ainda não alcançou grande parte da população. A conectividade não basta — sem infraestrutura adequada, pacotes de dados confiáveis e habilidades digitais, muitos permanecem à margem dos benefícios da tecnologia.
Além disso, o levantamento apontou que cerca de 64 milhões de brasileiros com celular viram seu pacote de dados acabar pelo menos uma vez nos últimos três meses — problema particularmente comum entre usuários de planos pré-pago e nas classes de menor renda, o que limita ainda mais o uso contínuo da IA.
O resultado é um cenário em que o avanço tecnológico convive com desigualdades profundas: tecnologia e inovação avançam, mas nem todos têm igual acesso ou capacidade de se beneficiar delas — o que pode ampliar disparidades históricas de oportunidade no país.
Foto: Agência Brasil



