Uma pesquisa apontou que fatores sociais têm levado famílias brasileiras a aumentar o consumo de alimentos ultraprocessados, especialmente entre crianças. Entre os principais motivos estão a sobrecarga no cuidado com a alimentação, o baixo custo desses produtos e questões emocionais ligadas ao consumo.
O estudo ouviu cerca de 600 famílias em comunidades urbanas de diferentes cidades do país e revelou que, mesmo com a preocupação em oferecer uma alimentação saudável, os ultraprocessados estão presentes no dia a dia. Em metade dos lares, esses produtos fazem parte do lanche das crianças e, em muitos casos, também aparecem já no café da manhã.
Itens como biscoitos recheados, refrigerantes, embutidos, macarrão instantâneo e iogurtes com sabor estão entre os mais consumidos. Esses alimentos, produzidos industrialmente com diversos aditivos, são atrativos pelo preço, praticidade e sabor mais intenso, mas estão associados a riscos maiores de doenças como obesidade, diabetes e problemas cardíacos.
A pesquisa também destaca a sobrecarga das mulheres, que concentram a responsabilidade pela compra, preparo e oferta dos alimentos, o que favorece a escolha por opções rápidas e prontas. Além disso, muitos entrevistados demonstraram dificuldade em identificar quais produtos são ultraprocessados ou compreender os alertas presentes nos rótulos.
Outro fator relevante é a percepção de preço: alimentos ultraprocessados são vistos como mais baratos, enquanto itens frescos, como frutas, verduras e carnes, são considerados caros. Há ainda um componente afetivo, já que muitos pais associam esses produtos a experiências positivas da infância ou ao desejo de atender aos filhos.
Diante desse cenário, especialistas apontam a necessidade de políticas públicas, educação alimentar e ações que facilitem o acesso a alimentos mais saudáveis para reduzir o consumo de ultraprocessados.



