A construção da futura Estação Campo Grande, na expansão da Linha 1 do Sistema Metroviário de Salvador, vai atingir diretamente um sítio arqueológico histórico de 188,41 metros quadrados formado, principalmente, por vestígios da ocupação da região durante o século XIX.
A área fica localizada em frente ao Praça Dois de Julho, também conhecido como Largo do Campo Grande, e ao lado do Forte de São Pedro — estrutura construída no século XVIII, pertecente ao Exército Brasileiro e tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
A descoberta foi registrada durante os estudos arqueológicos preventivos apresentados para o Iphan, em agosto, pela Companhia de Transportes da Bahia (CTB), empresa pública vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Urbano do Estado da Bahia (Sedur).
O levantamento analisado aponta que foram identificadas 235 peças arqueológicas, entre fragmentos de faiança (material cerâmico poroso, de massa branca ou marfim), porcelana, cerâmica, vidro, metal, ossos, telhas e outros materiais (confira todos os vestígios encontrados ao longo da matéria).
De acordo com o documento, elaborado pela empresa Gestão Arqueológica Consultoria em Patrimônio Cultural, as obras de expansão do metrô terão impacto direto no sítio, mas a descoberta não representa um impedimento à construção da Estação Campo Grande.
Os fragmentos históricos foram localizados entre 15 de abril e 15 de julho deste ano, através de 27 sondagens na região da Estação Campo Grande. O relatório aponta que a maior parte dos vestígios está associada ao cotidiano doméstico e ao descarte de objetos no local.
Além disso, a pesquisa indica que o sítio remonta à ocupação da região durante a segunda metade do século XIX — período em que o Campo Grande e áreas próximas passaram por um processo de expansão urbana em direção ao Sul de Salvador, com a instalação de residências de famílias de maior poder aquisitivo.
O sítio arqueológico abrange uma área de 188,41 m2, no Centro expandido de Salvador, em frente ao Largo Dois de Julho, também conhecido como Campo Grande. O sítio é resultante da ocupação da área na segunda metade do século XIX, com objetos de uso doméstico descartados. Também se localiza ao lado do Forte de São Pedro, do Século XVIII, mas não há vestígios materiais de qualquer relação do sítio com o referido Forte”, diz um trecho do relatório.



