O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, chegou a Omã no dia 11 para discutir medidas que garantam a passagem segura de navios pelo Estreito de Ormuz, enquanto Washington busca um compromisso público de trânsito livre e seguro.
O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou no dia 10 que os EUA e o Irã haviam concordado em continuar as negociações, apesar da escalada das hostilidades nesta semana, ao mesmo tempo em que declarou o fim do cessar-fogo alcançado entre as duas partes.
Não foram registrados ataques na sexta-feira (10) nem no sábado (11), e uma fonte iraniana de alto escalão informou à Reuters que foi acordada uma teleconferência entre Irã, EUA, Catar e Paquistão, e que os mediadores estavam tentando organizá-la para este sábado, enquanto Araqchi está em Omã.
Omã está ajudando a mediar o fim de uma guerra que espalhou a insegurança no Golfo e elevou os preços em todo o mundo desde que EUA e Israel lançaram ataques aéreos contra o Irã em 28 de fevereiro.
A CBS News e sua parceira britânica, a BBC, informaram que o vice-presidente dos EUA, JD Vance, o secretário de Estado, Marco Rubio, o enviado especial Steve Witkoff e o genro de Trump, Jared Kushner, lideraram as negociações no último dia 11 com Araqchi. A agência de notícias iraniana Fars citou posteriormente uma fonte afirmando que nenhuma negociação ocorreria até que os EUA recuassem de suas posições.
Autoridades de alto escalão dos EUA disseram a repórteres no último dia 10 que o Irã havia informado às autoridades americanas que os recentes ataques à navegação no estreito foram causados por uma parte desorientada de seu sistema, comentários que pareciam ter como objetivo acalmar as tensões.
O recrudescimento do conflito lançou mais dúvidas sobre o futuro de um acordo provisório destinado a pôr fim ao conflito e impulsionou os preços do petróleo para cima, uma questão politicamente delicada para Trump antes das eleições legislativas de novembro.
“A República Islâmica do Irã nos pediu para continuar as conversas. Concordamos em fazê-lo, mas os Estados Unidos deixaram claro para eles, em termos inequívocos, que o cessar-fogo acabou!”, postou Trump em sua plataforma Truth Social em 10 de julho.
Negociadores do Catar se reuniram com autoridades no Irã no dia 10 de julho para amenizar as tensões e discutir o Estreito de Ormuz, disse à Reuters uma pessoa a par da situação.
Irã ameaça vingar morte de líder supremo
Uma declaração por escrito do novo líder supremo do Irã, o aiatolá Mojtaba Khamenei, divulgada no último dia 11, ameaçou vingança pela morte de seu antecessor e pai, que foi assassinado em 28 de fevereiro.
Divulgada por ocasião das cerimônias fúnebres do ex-líder aiatolá Ali Khamenei às quais o novo líder não compareceu, a declaração afirma que a vingança ocorrerá independentemente do que acontecer ao Irã.
“Comprometemo-nos a vingar o sangue do líder martirizado e de todos os mártires”, dizia a mensagem.
Nas cerimônias fúnebres no dia 09 de julho, uma grande multidão de enlutados lotou um pátio, alguns segurando faixas com os dizeres: “Vamos matar Trump.”.



