Um estudo publicado na revista Nature Reviews Earth & Environment mostra que o fenômeno climático El Niño-Oscilação Sul (ENOS) tem efeitos sobre o ecossistema marinho do Oceano Atlântico. Segundo os pesquisadores, o evento pode influenciar se a pesca cresce ou diminui em partes da África e da América do Sul, ao alterar condições oceânicas e atmosféricas.
O ENOS é caracterizado pela alternância entre o aquecimento e o esfriamento das águas do Oceano Pacífico, e essa variabilidade afeta padrões de chuva, ventos, temperatura, salinidade e a descarga de grandes rios. Essas mudanças podem modificar a disponibilidade de nutrientes e oxigênio no mar, o que impacta o fitoplâncton — base da cadeia alimentar — e, consequentemente, a abundância de peixes e crustáceos de importância comercial.
Os efeitos do El Niño no Atlântico não são iguais em todas as regiões nem para todas as espécies. No Norte do Brasil, o fenômeno está ligado à redução das chuvas na Amazônia, o que diminui a pluma do rio Amazonas — responsável por levar nutrientes essenciais para a costa. Esse menor aporte pode prejudicar a pesca local, embora algumas espécies, como o camarão marrom, possam ser favorecidas pela maior entrada de luz solar na água.
No Sul do Brasil, o El Niño está associado ao aumento das chuvas e à maior entrada de água doce e nutrientes, o que favorece a pesca de certas espécies. Na parte central do Atlântico Sul, o fenômeno tem sido relacionado a um aumento na captura de albacora, um tipo de atum explorado comercialmente.
Os autores do estudo ressaltam que essas respostas variam com a espécie, a estação do ano e até com décadas de observação. Eles também destacam a necessidade de estratégias de manejo localizadas e melhorias no monitoramento oceânico para lidar com as mudanças induzidas pelo ENOS de forma mais eficaz.
Fonte: Agência Brasil



