O aparato de fiscalização de trânsito no Brasil prepara uma importante transição tecnológica para combater a impunidade nas rodovias e vias urbanas. Coincidindo com o marco de 18 anos da promulgação da Lei Seca, as autoridades iniciam os testes com os chamados “drogômetros”, dispositivos projetados para identificar, por meio de amostras de saliva, a presença de substâncias psicoativas e medicamentos restritos que comprometem os reflexos ao volante.
O avanço técnico tenta fechar o cerco contra condutores que driblam o bafômetro tradicional consumindo outros tipos de entorpecentes. Os dispositivos estão sendo testados e poderão ser usados assim que forem certificados pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro).
“A lei amadureceu a ponto de não deixar ninguém escapar”, destaca o secretário nacional de Trânsito, Adrualdo Catão.
O freio na estratégia de impunidade
A urgência por modernização regulatória responde a um cenário de acomodação e sofisticação das defesas jurídicas. Embora a legislação tenha consolidado uma mudança cultural expressiva, os indicadores de acidentes e flagrantes voltaram a apresentar curvas de crescimento a partir de 2020.
Analistas de segurança viária alertam que a percepção de risco diminuiu na população, movimento impulsionado por uma verdadeira enxurrada de recursos administrativos e judiciais.
Estimulados por escritórios especializados nas redes sociais, motoristas recorrem a brechas técnicas para arrastar os processos até a prescrição, evitando a perda da Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Para entrar em operação definitiva e dar sustentação jurídica às blitze, o drogômetro aguarda a homologação do Inmetro e uma resolução específica do Conselho Nacional de Trânsito (Contran).
As estatísticas do bolso e o padrão dos infratores
As penalidades para quem insiste em misturar direção e substâncias nocivas continuam severas no bolso e na documentação. O condutor flagrado sob efeito ou que simplesmente optar por recusar o teste recebe uma multa administrativa imediata de R$ 2.934,70, além de encarar a suspensão do direito de dirigir por um período de 12 meses.
Raio-X das Infrações da Lei Seca (Desde 2008):
• Total de Multas Aplicadas: 3,7 milhões de autuações
• Média Nacional por Hora: 23 notificações emitidas
• Motivo Principal (66%): recusa formal a fazer o teste
O histórico acumulado desde 2008 aponta para 3,7 milhões de infrações registradas no país, desenhando uma média de 23 multas aplicadas a cada hora.
O perfil majoritário mapeado nos registros oficiais é composto por homens, que representam 90% dos autuados, com uma faixa etária média fixada em 39 anos.



