Na 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), encerrada em Belém em 22 de novembro, houve uma conquista histórica: pela primeira vez, os documentos finais mencionam explicitamente os afrodescendentes.
O termo “afrodescendentes” aparece em quatro textos oficiais aprovados no encontro, que busca estratégias para combater o aquecimento global, adaptar-se às mudanças climáticas e mitigar impactos. Esses documentos são: Transição Justa, Plano de Ação de Gênero, Objetivo Global de Adaptação e o Mutirão.
No documento de Transição Energética, destaca-se a importância de engajar diferentes grupos, incluindo pessoas de ascendência africana, comunidades vulneráveis, trabalhadores informais, povos indígenas, migrantes, mulheres, jovens, idosos e pessoas com deficiência. Além disso, o texto defende que os processos de transição devem respeitar os direitos humanos desses grupos.
O Objetivo Global de Adaptação ressalta que crianças, jovens, pessoas com deficiência, povos indígenas, comunidades locais, migrantes e afrodescendentes têm contribuições importantes para a adaptação às mudanças climáticas, apontando para a necessidade de considerar gênero, direitos humanos, equidade intergeracional e justiça social. Já o Plano de Ação de Gênero reconhece especialmente a participação de mulheres e meninas de ascendência africana nas ações climáticas.
Por sua vez, o documento chamado Mutirão, que a presidência brasileira da COP30 definiu como “um método contínuo de mobilização” que ultrapassa os limites da conferência, afirma o papel fundamental de afrodescendentes — ao lado de povos indígenas, mulheres, jovens e crianças — para impulsionar o progresso coletivo em direção às metas do Acordo de Paris.
A ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, saudou esse reconhecimento formal, afirmando que a COP30 reconhece que as populações afrodescendentes são particularmente afetadas pelas mudanças climáticas. Ainda assim, ela destacou a urgência de avançar para ações mais concretas — especialmente políticas climáticas inclusivas que levem em conta a realidade das periferias e dos territórios mais vulneráveis ao racismo ambiental.
O ministério atribui esse avanço também à pressão da sociedade civil, citando a participação de movimentos negros e do Geledés — Instituto da Mulher Negra, que comemoraram a conquista. Segundo o Geledés, o reconhecimento não é apenas simbólico: ele abre caminho para políticas de adaptação mais justas, eficazes e conectadas com realidades marcadas por desigualdades estruturais.
Esse momento marca um marco histórico dentro da COP30: pela primeira vez, os documentos centrais da conferência de clima fazem referência direta aos afrodescendentes.
Fonte: Agência Brasil



