A influenciadora Jaqueline Pinheiro, mais conhecida nas redes como Jaque Conserta, une ativismo feminista a oficinas práticas para ensinar mulheres e pessoas não binárias a realizarem reparos domésticos, um campo tradicionalmente terceirizado para homens.
Segundo ela, a divisão sexual do trabalho “não desapareceu — só ficou mais elegante, mais disfarçada”. Desde a infância, meninos são incentivados a usar ferramentas, enquanto meninas são empurradas para tarefas domésticas mais “tradicionais”, como cuidar da limpeza.
Jaque relata que muitas mulheres relatam situações abusivas quando contratam profissionais masculinos para consertos: cobranças excessivas, explicações infantilizantes sobre o orçamento, até manipulação para que troquem peças desnecessariamente.
Além disso, ela denuncia assédio — verbal e simbólico — por parte de alguns prestadores, que fazem insinuações, tentam flertes mesmo com desconforto da cliente e invadem a privacidade. Essa dependência por não saber lidar com tarefas técnicas, afirma Jaque, acaba abrindo brechas para manipulação e violência em diferentes níveis: financeiro, psicológico, relacional e até físico.
Para mudar essa dinâmica, ela defende que meninos também sejam educados para assumir responsabilidades de cuidado: “os meninos precisam aprender a cuidar das áreas comuns da casa […] a abrir mão do poder”.
Jaque também critica a “machulência” — termo que usa para descrever a masculinidade rígida e dominante — como base de muitos dos comportamentos agressivos e de subordinação que sustentam uma cultura patriarcal onde “o macho adulto acredita que precisa estar dominando para estar seguro”.
Ela ressalta a importância de mais mulheres na política, não apenas como eleitoras, mas como líderes ativas, para romper com a estrutura de poder que privilegia os homens.
Fonte: Agência Brasil



