Governos reunidos na COP30, em Belém, fecharam um acordo climático que aumenta bastante o financiamento para países pobres.
Mesmo com esse reforço financeiro, o texto final não cita combustíveis fósseis — como petróleo e carvão —, grande parte da causa das emissões de gases de efeito estufa.
O chamado Acordo de Belém propõe uma iniciativa voluntária para acelerar ações climáticas alinhadas às metas atuais de redução de emissões e exige que países ricos tripliquem os recursos destinados à adaptação até 2035.
Também prevê que organismos internacionais avaliem como o comércio global pode ser ajustado para favorecer tecnologias limpas.
A União Europeia pressionava por uma referência explícita à eliminação dos combustíveis fósseis, mas se deparou com resistência do Grupo Árabe, que inclui grandes exportadores de petróleo. Para resolver esse impasse, Brasil propôs tratar o tema em um texto paralelo.
Esse desfecho causou decepção entre representantes da sociedade civil: em rascunhos anteriores havia um “mapa do caminho” para a eliminação gradual dos fósseis, mas ele sumiu do documento final. O Brasil, liderado pelo presidente Lula, defendia a inclusão de um cronograma, mas não conseguiu.
Cientistas criticaram a omissão, dizendo que deixar de fora os combustíveis fósseis “trai a ciência” e compromete a meta de limitar o aquecimento a 1,5 °C.
Por outro lado, o acordo incluiu avanços: reconheceu a importância dos povos indígenas e das comunidades afrodescendentes na luta climática, destacando seus direitos territoriais e saberes tradicionais. Também foram lançadas iniciativas como o Acelerador Global de Implementação e a Missão Belém 1,5, para apoiar países em suas metas de adaptação e metas climáticas.
A presidenta do Instituto Talanoa, Natalie Unterstell, afirmou que, embora haja sinais positivos, o acordo não dá “o salto político que a ciência exige” para alinhar as promessas nacionais à urgência da crise climática. A estrategista do WWF-Brasil, Tatiana Oliveira, disse que o resultado mostra tanto os limites da diplomacia global quanto o valor da participação das comunidades nos processos climáticos.
Fonte: Agência Brasil



