Empresas brasileiras de construção de infraestrutura para transmissão de energia estão em conflito direto com a Neoenergia. As construtoras afirmam que a companhia pressiona financeiramente os fornecedores e atrasa o cumprimento de contratos firmados com o governo federal por meio da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
A Associação Brasileira da Construção Metálica (ABCEM) enviou à Comissão de Energia da Câmara dos Deputados uma representação formalizando as denúncias e solicitando fiscalização de cinco contratos de grande porte. Juntos, esses contratos envolvem a instalação de mais de 2 mil quilômetros de linhas de transmissão, com valores que ultrapassam R$ 5 bilhões.
Segundo a entidade, três desses contratos deveriam ter entrado em operação em março de 2024, mas ainda estão em construção, acumulando atrasos de cerca de 680 dias. Um quarto contrato foi concluído com atraso de aproximadamente 95 dias. Todas as obras são operadas por Sociedades de Propósito Específico (SPEs) controladas pela Neoenergia, que detém o direito de exploração das linhas por 30 anos.
A ABCEM afirma que a Neoenergia teria adotado uma prática recorrente: apresentar projetos subdimensionados para obter orçamentos baixos das construtoras e, após o início das obras, muitas vezes em áreas isoladas, reter pagamentos, criando um “estrangulamento financeiro” das empresas contratadas.
O caso levanta questionamentos sobre a execução de contratos estratégicos para o setor elétrico e sobre os impactos dessa disputa para o andamento de obras essenciais à expansão da transmissão de energia no país, reforçando o papel da Neoenergia e, por consequência, da Coelba, nas críticas à gestão e execução de projetos de infraestrutura.
Procurado pela reportagem, a Coelba falou que não tinha nada em relação ao assunto
“Este caso não tem qualquer relação com a Neoenergia Coelba. A referência diz respeito exclusivamente à holding de transmissão. Inclusive, dos parques de transmissão citados nenhum está na Bahia”, disse em nota



