O mercado imobiliário baiano cresceu 7% de 2024 para 2025 e chega a 2026 com perspectivas de manter o desempenho, sustentado por uma demanda que continua presente em Salvador e pela abertura de novos vetores de crescimento na capital e no interior. Ao mesmo tempo, o setor enfrenta uma combinação de fatores que exige cautela dos empresários: juros elevados, crédito caro, aumento dos custos, falta de mão de obra qualificada, endividamento da população, mudanças na legislação tributária e trabalhista e um ambiente de insegurança jurídica. O desafio, portanto, é transformar a demanda existente em novos investimentos sem comprometer a viabilidade dos empreendimentos.
Segundo o presidente da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário da Bahia (ADEMI-BA), Cláudio Cunha, um dos principais sinais positivos para o mercado está na intenção de compra de imóveis em Salvador. O índice chegou a 52% entre os consumidores que pretendem adquirir um imóvel em até dois anos. Para o dirigente, o resultado mostra que existe demanda e, ao mesmo tempo, reforça o desafio de manter o ritmo de crescimento registrado no ano anterior.
A construção civil representa cerca de 4,5% do Produto Interno Bruto (PIB) da Bahia e movimenta aproximadamente R$ 21,7 bilhões, segundo dados do Observatório da FIEB apresentados pelo SindusCon-BA. No Brasil, o setor movimenta cerca de R$ 359 bilhões. Em 2025, a construção nacional cresceu 0,5%, depois de uma expansão de 4,4% em 2024, conforme dados da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).
O desempenho ocorre apesar da pressão dos juros. A taxa Selic está em 14%, depois de ter chegado a 15%, tornando o crédito mais caro para empresas e consumidores. Para Eduardo Freire Bastos, presidente do SindusCon-BA, a construção possui uma característica que permite atravessar períodos de dificuldade: a resiliência dos empresários.
Com juros elevados, o empresário precisa ser mais seletivo. “Com uma taxa de juros alta, o empresário fica mais cauteloso. Ele não deixa de acreditar no país, mas precisa analisar muito mais onde vai colocar o dinheiro e qual será o retorno daquele investimento”, avaliou.



