Setembro chegou e, na Bahia, isso significa muita coisa: o caruru está de volta, as festas dos Ibejis, São Cosme e Damião, a alegria das crianças nas comunidades e uma das tradições mais conhecidas do calendário baiano. Antes mesmo de o cheiro do dendê tomar conta das cozinhas, os memes começam a aparecer nas redes sociais. “Setembro chegou, me convida que eu vou” é uma das brincadeiras que se repetem todos os anos entre os baianos, que já aguardam a temporada de caruru de São Cosme e São Damião.
E, neste ano, há uma boa notícia para quem pretende manter a tradição do dia 27 de Setembro, conhecido como dia de São Cosme e Damião, numa data que transcende dogmas religiosos e mostra mais uma vez o sincretismo baiano. O preço dos principais ingredientes aparece mais favorável nas feiras de Salvador, especialmente no caso do quiabo, que é a base do prato. Na apuração da Tribuna da Bahia nas feiras de São Joaquim e das Sete Portas, o cento foi encontrado entre R$ 12 e R$ 20, com possibilidade de negociação conforme a quantidade comprada e a banca. Quem leva mais pode conseguir um valor menor.
O cenário também aparece no camarão, outro ingrediente importante da mesa. Nas bancas consultadas, o preço encontrado variou entre R$ 45,90 e R$ 54,90, dependendo do produto e do vendedor. A diferença, somada à possibilidade de pechincha, pode pesar menos no bolso de quem prepara o prato para uma família grande ou mantém a tradição para dezenas de pessoas.
Nas bancas, o preço do quiabo não é único. O valor muda conforme a qualidade do produto, o tamanho, a quantidade comprada e a negociação com o feirante. Na apuração da Tribuna da Bahia, o cento foi encontrado entre R$ 12 e R$ 20. Em alguns casos, o vendedor reduz o preço para quem compra maior quantidade. Para quem prepara um caruru para muita gente, a diferença pode representar uma economia importante. É o caso de Dona Maria da Fontana, 55 anos, que prepara caruru para sete meninos há mais de 15 anos. “Dessa vez vou poder fazer com fartura. Mas ainda faltam as balas e os doces”, brinca.
Um dos fatores que ajudam a explicar o valor mais favorável do quiabo neste início de setembro está no campo. O produto é cultivado durante todo o ano, mas algumas regiões produtoras registram aumento da oferta justamente a partir deste período. Segundo dados divulgados pelo polo produtor de Passagem de Santana e Estandarte, em Barra da Estiva, mais de 430 toneladas de quiabo foram colhidas em 2025. A produção ocorre ao longo de todo o ano, mas o período entre setembro e março concentra uma oferta maior. Os dados têm como base assistência técnica e gerencial do Senar.
A maior disponibilidade ajuda a explicar por que o produto chega às feiras em uma condição mais favorável. Em 2025, a situação era diferente. Dados da Ceasa apontaram alta no preço do quiabo naquele período, enquanto levantamentos realizados na época registraram pressão também nas feiras de Salvador.
Naquele ano, o preço do produto subiu com a combinação de menor oferta em algumas regiões produtoras e aumento da procura provocado pela proximidade do dia de São Cosme e São Damião. A avaliação foi apontada pelo economista Denilson Lima, da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI).



