O futebol ganhou uma nova cor de cartão, mas, desta vez, quem precisa se preocupar não são os jogadores. A Federação Romena de Futebol (FRF) criou o “cartão preto”, uma medida que permite ao árbitro encerrar definitivamente uma partida por causa do comportamento inadequado de pais e torcedores nas arquibancadas.
A novidade será utilizada em competições das categorias de base, do sub-7 ao sub-16, a partir desta temporada. Segundo a federação, trata-se do primeiro cartão adotado por uma associação de futebol exclusivamente para sinalizar uma punição provocada pela conduta dos espectadores.
Ao contrário do amarelo, usado como advertência, e do vermelho, que determina a expulsão de um jogador, o “cartão preto” só aparece depois que outras tentativas de controlar a situação falham.
Como funciona o “cartão preto”?
A aplicação da nova regra acontece em três etapas. Ao perceber insultos, agressões ou outros comportamentos inadequados vindos das arquibancadas, o árbitro interrompe temporariamente a partida.
Nesse primeiro momento, os treinadores são chamados para conversar com os pais e torcedores de suas equipes e pedir que o comportamento seja interrompido. Caso o estádio tenha sistema de som, avisos também podem ser feitos ao público.
Se os problemas continuarem, o jogo é suspenso por dez minutos e os jogadores das duas equipes seguem para os vestiários. Durante a pausa, os treinadores fazem uma nova tentativa de controlar os espectadores.
Caso os abusos persistam após a retomada, não há uma terceira chance: o árbitro encerra definitivamente a partida e mostra o “cartão preto” para indicar que o jogo não será reiniciado.
O que pode fazer o árbitro mostrar o cartão?
Entre as condutas previstas pela Federação Romena estão insultos e ofensas verbais, agressões, empurrões, reclamações constantes contra a arbitragem e conflitos físicos ou verbais nas arquibancadas.
A regra contempla comportamentos direcionados a crianças, adversários, integrantes das comissões técnicas, árbitros, oficiais da partida e até outros espectadores.
A medida faz parte de uma iniciativa para reduzir a pressão e o bullying nas categorias de base. As 130 academias que integram o sistema de classificação da federação receberam materiais explicativos sobre as novas regras de conduta.
Não é a primeira iniciativa do tipo
Antes do “cartão preto”, a federação já havia endurecido as punições para comportamentos inadequados no futebol de base. Mudanças feitas no regulamento disciplinar em 2024 estabeleceram multas entre 2 mil e 4 mil euros, além de suspensões de licença que podem variar de um a três anos.
Outra experiência é o chamado “Silent Day”, realizado duas vezes por ano em partidas das categorias sub-13 e sub-14. Nesses jogos, pais e treinadores não podem se manifestar das arquibancadas ou da lateral do campo.
A proposta é diminuir a pressão externa e permitir que crianças e adolescentes tenham maior liberdade durante as partidas. Agora, com o “cartão preto”, os árbitros também passam a contar com um recurso visual para interromper definitivamente um jogo quando o comportamento fora de campo ultrapassar os limites.



