O câncer de boca, antes mais associado a pessoas acima dos 50 anos, tem apresentado crescimento entre jovens baianos, segundo especialistas da área de Odontologia. A mudança no perfil dos pacientes preocupa profissionais de saúde, que apontam novos hábitos e até influências das redes sociais como fatores ligados ao aumento dos casos.
Levantamento da Universidade Federal da Bahia (UFBA) identificou 1.889 casos da doença no estado, com predominância histórica entre homens, mas já mostrando mudanças no perfil epidemiológico. Em nível nacional, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima cerca de 15 mil novos casos por ano no Brasil.
A professora do curso de Odontologia da Afya Salvador, Sandra Castro, alerta que o uso de cigarros eletrônicos tem contribuído para a exposição a substâncias tóxicas que afetam diretamente a saúde bucal. Segundo ela, muitos jovens acreditam que o vape é menos prejudicial, mas o hábito pode causar ressecamento da boca, inflamações, doenças periodontais e favorecer o desenvolvimento de problemas mais graves.
A especialista também chama atenção para o diagnóstico tardio da doença. De acordo com ela, muitos pacientes só procuram atendimento quando já sentem dor, o que pode indicar um estágio mais avançado do câncer. Feridas que não cicatrizam, manchas na boca, sangramentos sem causa aparente, caroços e dificuldade para mastigar ou engolir estão entre os sinais de alerta.
Outro ponto destacado pelos especialistas é a exposição solar frequente sem proteção, que pode aumentar o risco de câncer de lábio. O uso de protetor labial com filtro solar, bonés e outros cuidados de proteção são recomendados para reduzir os riscos.



