A combinação entre desaceleração das vendas e aperto nas condições de crédito empurrou um número recorde de empresas brasileiras para a inadimplência. Segundo estudo da Serasa Experian divulgado para o mês de junho de 2026, o Brasil superou a marca de 9,1 milhões de empresas com contas em atraso.
Ao todo, o mês de junho registrou 66,2 milhões de títulos vencidos e não quitados no país, o que representa um salto de quase 10 milhões de faturas em relação ao mesmo período do ano anterior, além de um aumento de 1 milhão de pendências na comparação com o mês de maio.
Pequenos negócios sofrem o maior baque
O levantamento deixa claro que o baque atinge principalmente quem está na ponta da economia local. Das 9,1 milhões de empresas devedoras, 8,6 milhões são micro e pequenos negócios. As pequenas faturas não pagas se acumularam rapidamente: são 59,7 milhões de dívidas atreladas a esse grupo, totalizando R$ 201,4 bilhões.
Em média, cada micro e pequena empresa inadimplente acumula 6,9 contas atrasadas, com uma dívida total consolidada de R$ 23.181,56 e um ticket médio de R$ 3.370,47 por boleto. Considerando a média geral de todos os portes de empresa, o valor devido chega a R$ 25.508,96 por CNPJ (com ticket médio de R$ 3.515,77 e 7,3 contas em atraso).
Serviços e Comércio lideram lista de devedores
A perda de fôlego do consumidor reflete diretamente nos setores que mais empregam. Empresas do segmento de Serviços representam 55,7% de todo o contingente de devedores do país, enquanto o Comércio responde por 32,2%. A Indústria aparece com 8,0% e o setor Primário registra 0,9%.
Em entrevista concedida para a CNN a economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, pontua que a taxa de juros em 14% torna o crédito inacessível para renegociações:
“Ao mesmo tempo, a atividade econômica começa a apresentar uma desaceleração mais evidente, reduzindo o ritmo de geração de receita das empresas justamente em um momento em que muitas ainda enfrentam dificuldades para reorganizar seus passivos e recompor o fluxo de caixa”, analisa.
Quem são os credores e o mapa dos estados
A origem das faturas não pagas está associada ao financiamento do dia a dia da operação das empresas. O setor de Serviços é o principal credor, concentrando 31,6% das dívidas. Na sequência, aparecem as instituições de Bancos e Cartões (19,5%), seguidas por Cooperativas (8,4%), contas de Utilities/água e luz (6,9%) e operadoras de Telefonia (6,0%).
No ranking por unidades da federação, São Paulo ocupa a primeira posição com 3.126.658 de empresas negativadas, acompanhado por Minas Gerais (907.558) e Rio de Janeiro (874.385). O Paraná surge na quarta posição (601.986) e o Rio Grande do Sul fecha o grupo dos cinco maiores (527.555).



