A vereadora Aladilce Souza acompanha os circuitos do Carnaval de Salvador desde o início da festa e afirma que a celebração revela tanto a alegria quanto as desigualdades sociais da capital baiana. Neste domingo, no Observatório da Casa do Povo, no Circuito Osmar, ela avaliou a situação de ambulantes e catadores que trabalham durante a folia.
“Esse pessoal que vem para a avenida trabalhar, que dorme para marcar um lugar, para defender um dinheiro e pela sobrevivência, é o pobre de todo dia. É a pobreza crônica da cidade. E isso, o Carnaval mostra. É o povo que vem da periferia para a avenida. Isso precisa ser enfrentado pela Prefeitura durante todo o ano. Não vai resolver no Carnaval, tem que começar a dar dignidade de vida às pessoas para elas não precisarem passar por isso durante a festa”, afirmou.
Para a vereadora, a prefeitura precisa priorizar políticas de geração de emprego e renda no planejamento orçamentário. Segundo ela, o Plano Plurianual não contemplou adequadamente a população mais vulnerável. “Inclusive, a Prefeitura fechou o PPA sem contemplar os pobres e a assistência social, sem investir na geração de emprego e renda. O PPA não priorizou isso. Eu chamei a atenção na Câmara, mas foi fechado sem priorizar os pobres”, declarou.
Aladilce reconheceu avanços pontuais, como a oferta de alimentação a trabalhadores do Carnaval, mas defendeu medidas estruturais. “Tem que investir no planejamento orçamentário do município para conseguir reduzir a pobreza de grande parte da população”, disse. Ela também ressaltou o cenário de desigualdade social: “A gente tem uma desigualdade extrema e uma concentração de renda muito grande. Você tem uma pequena parcela da população, digamos que 20%, que vive bem. Ao dar quentinha, dar creche, você está tratando da pontinha do iceberg”.
Ao comentar reclamações de ambulantes, a vereadora citou críticas sobre a quantidade de vagas em creches e a qualidade da alimentação oferecida durante a festa. Além das questões sociais, ela abordou o combate à violência contra a mulher e reforçou a importância de enfrentar o problema. “Quatro mulheres são mortas por dia no Brasil. Isso não dá para aceitar”, lamentou, ao anunciar apoio ao bloco Xô Assédio, que desfila junto com a Mudança do Garcia.
A parlamentar também mencionou desafios na organização da cidade durante a folia, especialmente no trânsito. “Sexta-feira, eu levei duas horas do centro para a Barra. É preciso pensar em alternativas”, afirmou, defendendo melhorias na mobilidade urbana em Salvador durante o Carnaval.
Fonte: Ascom/ CMS



