As negociações na Organização Mundial do Comércio (OMC) terminaram sem acordo após o Brasil barrar a proposta dos Estados Unidos para ampliar a regra que proíbe a cobrança de tarifas sobre o comércio digital. O impasse interrompeu o avanço de um consenso global e evidenciou divergências entre países ricos e em desenvolvimento.
A medida em discussão, vigente desde o fim dos anos 1990, impede a taxação de produtos e serviços digitais, como plataformas de streaming, downloads e outras transações online. Com o fim do prazo sem renovação, os países passam a ter liberdade para adotar impostos sobre essas atividades, embora ainda não haja definição imediata sobre a aplicação prática.
O principal ponto de discordância foi o tempo de prorrogação da regra. Enquanto os Estados Unidos defendiam uma extensão permanente, o Brasil propôs um prazo mais curto, com possibilidade de revisão futura. Tentativas de chegar a um meio-termo não avançaram entre os membros.
O governo brasileiro também associou o tema às negociações no setor agrícola, alegando falta de progresso nessa área dentro da OMC. Já países em desenvolvimento veem na possibilidade de taxação digital uma forma de aumentar a arrecadação.
Sem consenso, o resultado reforça as dificuldades da OMC em fechar acordos multilaterais diante de um cenário de crescentes disputas comerciais. A expectativa é que as discussões continuem nos próximos meses em busca de uma solução.



