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Privatização da Eletrobras pode não sair este ano, diz Guardia

Privatização da Eletrobras pode não sair este ano, diz Guardia

As discussões em torno da privatização de seis distribuidoras de energia da Eletrobras podem atrasar a desestatização da Eletrobras, segundo  o ministro da Fazenda, Eduardo Guardia. Em viagem aos Estados Unidos, ele declarou que o cronograma está cada vez mais apertado para que a venda da estatal saia ainda em 2018.

“Existe sim, a possibilidade de [a privatização da Eletrobras] não ocorrer este ano. Os prazos estão mais curtos para fazer uma operação este ano, e a gente ainda não aprovou a lei de privatização das distribuidoras”, disse o ministro depois de participar de reuniões em Washington. O áudio da entrevista foi divulgado pela assessoria do ministério.

Guardia ressaltou que a privatização das distribuidoras estaduais deficitárias – a maioria na Região Nordeste – é precondição para a operação de capitalização da Eletrobras. A desestatização da empresa do setor elétrico deve render até R$ 12,2 bilhões ao governo apenas com o pagamento da concessão de hidrelétricas da estatal pelo futuro controlador.

“Existe uma sequência lógica que não pode ser invertida. Antes de falar da capitalização da Eletrobras, precisamos viabilizar a privatização das distribuidoras. Esta é uma precondição para falar de qualquer operação com Eletrobras, e ainda não conseguimos”, declarou o ministro.

Enviado ao Congresso no início do ano, o projeto de lei que permite a privatização das distribuidoras tramita na Câmara dos Deputados, mas a comissão especial que discute a proposta não se reúne desde maio. O projeto repassa aos fundos setoriais – que estão incluídos na conta de luz – a dívida bilionária das distribuidoras. A transferência dos débitos para os consumidores é vista pelo governo como condição essencial para atrair investidores privados aos leilões.

O requerimento de urgência do projeto não foi votado ontem (20) na Câmara. Originalmente, os leilões das distribuidoras estão marcados para 26 de julho.

Comércio global

Nesta quinta, o ministro encontrou-se com integrantes do Fundo Monetário Internacional (FMI) e com o secretário do Tesouro norte-americano, Steven Mnuchin. Em relação às medidas de retaliação comercial entre China e Estados Unidos, Guardia disse que o Brasil está preocupado com as repercussões que o acirramento das tensões pode ter sobre o comércio global, com possíveis efeitos sobre o país.

“Quando a gente analisa o cenário econômico, a economia mundial, evidentemente que esse tipo de disputa comercial, que não vai na direção da manutenção das regras de livre-comércio, preocupa a todos”, destacou Guardia.

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