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Transforme seu cabelo em lixo: faça escova!

O consumo nos torna objetos de consumo. Não passamos disso. Se você pensa que é algo diferente, esqueça!


O consumo nos torna iguais. A lei nos ensina sobre a igualdade diante dela. A lei é o mercado.


Não importa cor de pele, classe social, nível de escolaridade. Consumir é a meta. Classes A, B, C, D, E, F... uni-vos pelo consumo!


Aquele que rouba, aquele que é roubado. O abastado, o mendigo, o excluído. Os homens do mensalão e os que julgam os homens do mensalão. Todos transitam pela mesma via.
Estou neste momento querendo ser consumido. Que alguém leia e consuma meu produto. Consuma e de preferência curta, comente, compartilhe.
Consumir o que presta e o que não presta.


Outro dia conversava com uma amiga espiritualista, acadêmica, doutora. Ela acabava de sair de uma loja de produtos naturais, holísticos.
Levava sacolas cheias de alimentos integrais, produtos de beleza orgânicos, incensos, sinos e alguns tecidos from India.
Antenada, ainda frequenta cursos de Reiki, de Frequência de Brilho, faz vivências no Capão, participa de seminários budistas e integra comunidades web pagas da linha holística.
Além disso, faz terapias avançadas para controlar o Ego, ampliar a consciência e encontrar a iluminação universal.
A conta de tantas atividades às vezes supera os R$ 1.700 mensais. Nas suas rodas de cura é uma das que defendem o não consumismo como caminho da iluminação.
Conheço um grande sujeito viciado em carros. O novo sonho dele é o Troller 2012, desses que mergulham em rios e são guiados por GPS, mantendo o ar-condicionado a quase 10 graus.


Claro, não é consumo, é apenas a satisfação de um sonho aventureiro.
Outro dia, a secretária do lar de outra amiga, salário mínimo, tirou da bolsa três celulares, um deles do tipo smartphone.


O rapaz que numa das sinaleiras da Pituba insistia em limpar o para-brisas do meu carro usou como argumento de vendas: Libere um real aí pra recarregar meu celular!


Como escapar do consumo? Evangélicos, católicos, umbandistas, budistas, agnósticos, marxistas e até anarquistas não escapam. Pelo contrário.
Se assim não for, como manter suas igrejas, seus palácios, suas tendas, seus barracos?


Todo esse texto meio destrutivo pra falar, finalmente, da praga que tem me incomodado nos últimos meses. A praga das escovas.


Até compreendo o consumo do viciado em carros, da amiga holística, do cara da sinaleira, da empregada dos celulares.


Mas não consigo compreender o consumo de formol, amônia, chapinhas e outras misérias para transformar cabelos em coisas, pra destruir bulbos, raizes capilares e em seu
lugar levantar tufos de quase plástico, espichados, chapados, industriais.


Lá estava aquela negra linda com o cabelo liso. "Pra onde foi seu cabelo original?" Ah, meu filho, também sou gente, né?, respondeu, orgulhosa.


Comentava sobre isso com Rosa, uma jornalista que passou pela escova e foi salva por uma providencial alergia.


Minha pergunta era ingênua: Por que diabos, ao fazer escova, a mulher negra ainda quer ser branca?


Pois Rosa, com sua fina observação de ex-escovada, esclareceu. "Não se trata de querer ser branca, mas de querer estar incluída".
Incluída no mercado, no status-quo, incluída na ordem voraz do consumo.


A escova ou a chapinha é o que há de up, de anti-natural comandado pelo mercado.
E lá se vão todas obedecendo à ordem da grande indústria da beleza de mulheres feitas em série.
Sim, em série. Mulheres iguais, com os mesmos cabelos. Adeus às diferenças. Diferente é ser igual. De preferência com cabelos lisos ou hiperlisos.
E a indústria solta gritinhos e gritinhos! Este ano, festejando R$ 36 bilhões de faturamento com beleza - discutível beleza!


Como explicar aquelas meninas louras ou morenas, cabelos escorridos, nos salões fazendo escova?? Alisar ainda mais o já alisado. É insano. Chamo de "escovas inteligentes" para mulheres insanas. Escovas progressivas para mulheres depressivas.


Alice com seus lindos cabelos encarolados exibia uma expressão triste. Os cabelos não eram lisos como os da Ivete Sangalo.
Um dia, conseguiu realizar o sonho da escova. O lindos cabelos viraram uma cachoeira lisa de plástico abaixo dos ombros. Alice exultava. A mãe justificava: Por que não dar essa alegria a ela? Alice tem seis anos de idade.


Escovas comprometem a saúde, entram na pele, invadem a circulação sanguínea, transformam raizes fortes em fiapos de lixo. Produzem o corte químico, uma aberração.
A cantora Daniela Mercury, há alguns anos, chegou a processar um importante salão por danificar seriamente seus ex-cabelos, produzindo o corte químico.
Daniela sumiu de cena até o cabelo voltar a ser alguma coisa. E não voltará jamais a ser o original sem a ação radical de, por exemplo, raspar tudo e rezar pra que
a memória celular "esqueça" a destrutiva química das escovas.


Vamos lá mulherada! Abaixo as escovas!


Que minha filha, cabelos castanhos, lisos e agora escovados, ouça isso!


Arthur Andrade é jornalista. 

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